Art Blakey foi um dos meus primeiros músicos de Jazz favoritos, e se notabilizou por trazer músicos jovens ao seu grupo The Jazz Messengers.
Todos aqueles que começam a ouvir música de maneira mais séria, não importa a idade, acabam descobrindo músicos, compositores, e intérpretes favoritos.
Na minha adolescência, eu descobri que gostava de Jazz, graças inclusive ao meu compadre, e comecei a correr para as lojas de discos para achar novidades. Historicamente, os meus primeiros músicos favoritos foram, na ordem: Louis Armstrong, Al Hirt (Jazz tradicional), Dizzy Gillespie (Be-bop), Art Blakey and the Jazz Messengers (Hard bop) e Ella Fitzgerald (vocalista).
A partir daí, a minha procura por discos não cessou mais, mas a transição dos discos em suas versões mono até chegar às edições remasterizadas durou bastante tempo. E muitas vezes, com uma enorme insistência, porque os catálogos das gravadoras custaram a sair dos seus arquivos, para serem digitalizados. No antigo fórum da Verve, por exemplo, eu insisti que o disco Whisper Not da Ella Fitzgerald fosse relançado em CD, e acabei sendo atendido, mas com uma edição limitada.
A saga do baterista Art Blakey
Art Blakey não foi apenas mais um dos grandes bateristas de Jazz, e olhe que tivemos vários deles. Ele se notabilizou como lançador de músicos instrumentistas jovens e montou a configuração do seu grupo The Jazz Messengers várias vezes.
O meu primeiro desses discos revelou para mim o trompetista Lee Morgan, que teve sua vida cortada ao ser assassinado pela sua ciumenta mulher. O disco acima citado foi gravado na Impulse em 1961. Quando o CD foi lançado, eu consegui na Modern Sound o CD europeu. Décadas depois, a Analogue Productions lançou o SACD, para mim a versão definitiva.
Embora a diferença sonora entre o CD europeu e o SACD seja mínima, o pessoal da Analogue tem o saudável hábito de ir às fontes, quando disponíveis, o que é ótimo para os colecionadores.
Eu ainda tive a sorte de assistir o conserto do grupo no Teatro João Caetano, quando da sua turnê pelo Brasil. Não me lembro mais de quem estava com ele, mas me lembro sim da minha emoção quando eles tocaram “Along Came Betty”, composta pelo icônico tenorista Benny Golson, e gravada pela primeira vez no igualmente icônico disco de 1959 da Blue Note Moanin’, considerado por muitos como um dos melhores discos da Jazz já gravados.
Em fevereiro de 1985, vários dos principais músicos que gravaram na Blue Note se reuniram para um conserto de comemoração, entre eles Art Blakey, acompanhado de Fred Hubbard – trompete, Johnny Griffin – sax tenor, Curtis Fuller – trombone, Walter Davis Jr. – piano e Reginald Workman – contrabaixo, tocando Moanin’:
Os temas do grupo ao longo dos anos se repetiram várias vezes. Art Blakey gravou no Japão pela Philips um disco com o título Night in Tunisia, que foi reeditado em CD. Eu me esforcei para conseguir este disco, sem muito sucesso. Mas, aconteceu comigo um lance bizarro e inusitado: eu estava dando aula no curso de bioquímica da pós graduação do Instituto de Microbiologia da UFRJ, em uma época que a importação de CDs por pessoas físicas atravessava um monte de barreiras. E, por acaso, uma das alunas era de Manaus e foi passar um fim de semana por lá. Aí eu pedi a ela para ver se ela conseguia este disco. Ela não só conseguiu, como trouxe o disco escondido dentro de uma caixa de bombons, e nós rimos à beça…
Esta gravação de 1979 já era digital. A primeira musica, que dá título ao disco, dura mais de 18 minutos, e então o disco original, na versão de elepê, só tem 3 músicas. Curiosamente, a música Moanin’ foi descrita como composta pelo pianista Bobby Timmons e pelo vocalista Jon Hendricks. Na realidade, Hendricks escreveu a letra da música e depois a cantou com Art Blakey anos antes.
A gravação japonesa foi feita nos estúdios da Victor. Não sei por que, ela soa muito baixo, mas reproduzida no volume correto dá para notar a ótima qualidade da captura dos instrumentos. Um dos destaques é o trompetista russo Valery Ponomarev, que foi viver em 1973 nos Estados Unidos.
Art Blakey e os Jazz Messengers foram presenças constantes nas trilhas sonoras dos filmes da Nouvelle Vague da década de 1960. Várias dessas trilhas foram lançadas em disco e em CD também, anos depois.
É uma pena que os grandes músicos de Jazz tenham desaparecido, como era de se esperar, e a única forma de ouvi-los novamente são os registros gravados ao longo dos anos, muitos dos quais foram reeditados repetidas vezes.
De qualquer forma, o colecionador menos experiente vai ter que se esforçar para conseguir ouvir alguma coisa desta época. Mas, se ele ou ela gostar mesmo de Jazz, eu garanto que vai valer a pena! [Webinsider]
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Louis Armstrong, o menino de origem humilde que reinventou o Jazz
Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.










