A volta dos que não foram 2: chegam novos aparelhos para CDs

Novos aparelhos para CDs e novos discos chegam ao mercado

Segundo o que se divulga na Internet, as vendas de CD aumentaram, bem como a oferta de aparelhos reprodutores novos, portáteis ou sofisticados.

Desde o ano passado eu vejo matérias e assisto notícias e vídeos na Internet afirmando que o CD voltou e as vendas desta mídia aumentaram significativamente, particularmente entre o público mais jovem, que vê agora no CD um som de uma qualidade que ele ou ela não encontram nos serviços de streaming. Este assunto já foi ventilado antes por aqui.

E agora, os vídeos tentando explicar a mudança do consumo, falar sobre a tecnologia, ou ainda indicar quais os melhores aparelhos de reprodução em 2026, estão proliferando no YouTube. Tudo bem que este veículo tem uma tendência a criar factóides, mas neste caso existem evidências de que o mercado de vendas de CD realmente aumentou.

Um dos principais motivos para esta mudança foi, para variar, a iniciativa da indústria chinesa, com a oferta de reprodutores de vários tipos, e também com a insistência japonesa de lançar novos discos. A maioria destes consiste em remasterizações, em virtude do fechamento ou diminuição de atividade dos grandes estúdios. Essas novas reedições, no caso japonesas, são transcrições aperfeiçoadas, portanto bem vindas pelo colecionador.

Aparelhos atualmente disponíveis vão de modelos portáteis, bem mais baratos, até reprodutores sofisticados, vendidos por alguns milhares de dólares. Também estão sendo oferecidos decodificadores digital analógico, os conhecidos DAC, para todos aquele que querem usar o reprodutor apenas como transporte.

Uma oferta que me deixou surpreso foi o da venda de um reprodutor de DVD Philips, que chega aqui importado, a baixo custo. Este modelo promete tocar discos DVD de qualquer região, PAL ou NTSC, e fazer upscaling para 1080p na conexão por HDMI.

No passado distante, eu experimentei conectar um DVD player Philips que era da minha filha direto no receiver, via HDMI. O resultado foi excelente, um som tão bom quanto o Oppo daquela época. Se o atual modelo incorporar outras melhorias, como um DAC interno de melhor qualidade, para quem não tem conexão por HDMI, então se trata de uma boa opção para tocar CD.

DAC interno ou externo?

Quando se toca um CD a saída de áudio RCA irá forçosamente reproduzir o som passando pelo decodificador digital analógico on board do aparelho. Se o usuário tiver um AV receiver moderno ou um DAC externo, ele pode usar as saídas digitais ótica (Toslink) ou coaxial, e enviar o sinal íntegro para ser decodificado por fora.

Ambas as saídas digitais ótica e coaxial são capazes de reproduzir áudio até 192 KHz e 24 bits em estéreo e 5.1 canais de trilhas sonoras de DVD. Limitações poderão existir no aparelho reprodutor, e neste caso, cabe ao usuário verificar com cuidado as especificações do equipamento a ser usado.

Na saída HDMI limitações do reprodutor também podem existir, áudio ou vídeo, mas as chances disso acontecer são bem menores. Se ambas as saídas HDMI e coaxial/ótica estiverem disponíveis, é recomendável usar a primeira, que não tem limitações de largura de banda per se. É sempre recomendável, entretanto, ver que tipo de versão (2.0. 2.1, 2.2, etc.) está disponível na saída HDMI do reprodutor e usar sempre cabos de boa qualidade.

O céu é o limite

Pode parecer exagero, mas a reprodução de um CD ultrapassa expectativas se o usuário tomar o cuidado de montar o melhor equipamento de reprodução possível. Refiro-me especialmente a bons amplificadores e caixas acústicas!

Como no áudio digital não existe uma correlação entre frequência e amplitude, e o CD tem alta capacidade na relação sinal/ruído, será sempre recomendável inspecionar as especificações do amplificador a ser usado na reprodução. Existem modelos que têm potência superior a 100 Watts RMS por canal, com fontes de boa qualidade, satisfatórios para fazer justiça a um bom reprodutor de CD.

E é neste ponto que um CD bem autorado, isto é, sem compressão ou sem limitadores, mostrará uma qualidade de áudio quase impossível de ser superada por serviços de streaming.

Quem ainda vai colecionar discos pode e deve tomar ciência dos novos processos de autoração, como, por exemplo, os da JVC, tipo K2HD, XRCD, etc. Alguns selos se dedicam a usar este tipo de aprimoramento.

Vejam que a reprodução de um CD tem um bitrate de áudio elevado, cerca de 1411 kbps, o que permite que bons drives de leitura possam ler e transmitir um sinal digital compatível com a qualidade desejada. Drives mais recentes são capazes de contornar potenciais problemas de leitura, eliminar variações de batimento (“jitter”) e quaisquer outros artefatos de leitura.

Reprodutores de CD antigos podem perfeitamente satisfazer estas condições, particularmente aqueles fabricados pós década de 1990, alguns dos quais com DAC de 16 bits.

No entanto, reprodutores mais modernos podem ser tão bons ou superiores aos antigos. Em qualquer hipótese, será sempre recomendável pesquisar especificações antes de escolher o aparelho a ser instalado. Até mesmo os modelos portáteis podem ser capazes de reproduzir CDs com competência. O custo do equipamento nem sempre é sinônimo da qualidade anunciada, e equipamentos mais baratos podem ser tão bons quanto aqueles mais caros! [Webinsider]

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CDs: a volta dos que não foram

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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