Durante as buscas dos corpos no acidente do metrô em São Paulo, funcionárias de uma empresa de bebidas energéticas distribuíram latas do produto em meio a uma tragédia, gerando muita polêmica. O motivo alegado pela empresa foi que a bebida daria energia para as pessoas que estavam lá há dias trabalhando.

Para muitas pessoas e veículos de comunicação, a causa de tanta repercussão negativa foi a baixa idade das funcionárias que idealizaram a ação, na faixa dos 20 anos.

Uma coisa é impossível de se negar: a experiência, seja profissional ou de vida, faz muita diferença. Mas e quando são raros os profissionais com mais experiência, como no caso da web? Este artigo tem como objetivo mostrar alguns aspectos da influência da idade no mercado online.

A ação realizada no acidente do metrô colocou novamente em discussão a juniorização na propaganda e no marketing. De forma resumida, juniorização é a troca de pessoas com mais experiência e salários mais altos por pessoas com idade e salários menores.

O que acontece no mercado web nem sempre é juniorização. É mesmo a falta de profissionais mais experientes em número suficiente para atender à demanda. Mesmo com um certo amadurecimento do mercado, depois de 10 anos de web no Brasil, quem já foi a um evento da área online comprovou que boa parte das pessoas está na faixa dos 20 a 30 anos.

Pela falta de profissionais experientes, as empresas acabam criando uma falsa experiência por meio de promoções. É por isso que o crescimento na área online é muito mais rápido que o crescimento em outras áreas. Não é difícil achar diretores de criação jovens, que terão que servir de referência para profissionais mais jovens ainda que trabalharão em sua equipe.

O principal problema que a falta de experiência causa é de compromisso. Essa falta de compromisso pode significar um trabalho de má qualidade, o desrespeito a prazos, horários e briefings, a passagem por várias empresas em curto período de tempo e, em casos mais graves, até o abandono de um emprego. É por isso que pessoas jovens, mesmo com responsabilidade e experiência, têm grandes dificuldades na hora de buscar uma oportunidade em um cargo que necessita mais confiança, como na área administrativa.

Já pessoas mais experientes enfrentam outro tipo de dificuldade: o perfil idealizado pelas empresas em áreas como criação e tecnologia é o do jovem com idéias novas, energia e que não tem tantos problemas em trocar a vida pessoal pelo trabalho.

E, infelizmente, algumas pessoas mais experientes na área web colaboram para essa imagem: são os bloqueadores de inovações, que por acomodação acabam deixando de lado as novidades.

Quando se fala em idade ideal, não existe um ponto em comum, apenas observações muitas vezes óbvias e até clichês. Afinal, o pensamento diferente entre os mais jovens e os mais velhos acontece em todas as áreas.

Alguns dizem que realmente ?jovens têm mais energia?, ?os mais velhos têm mais experiência? e que o ideal é misturar pessoas de todas as idades, colocando os mais experientes para gerenciar. Outros dizem que não importa a idade, o que importa é a responsabilidade.

O grande ponto positivo é o aparecimento de uma geração de administradores brilhantes, na faixa dos 30 a 40 anos. São pessoas que estão há mais tempo na área e que adquiriram experiência por conta própria, afinal, não havia referências para seguir. Esses bons profissionais já têm se tornado referência para os profissionais mais jovens.

Independente da sua idade, saiba que o mercado digital ainda está em formação e existem oportunidades para pessoas com as mais diversas experiências. Basta achar o seu espaço. [Webinsider]

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Respostas

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  1. Flávio Levi

    Cesar, interessante texto. É fato que isto ocorre muito, principalmente quando o gestor de uma área, por exemplo, é mais novo que os seus subordinados, gerando um conflito inicial na relação. Ainda falando em marketing digital, quais áreas dentro do mkt digital você acha que serão promissoras para o futuro? Quais especializações serão mais procuradas nas agências?
    Valeu!
    []´s
    F#

  2. edy

    todos os mercados semrpe estão em evolução.

    nós temos sempre que acompanhá-lo, mesclando informações diversas, quebrando paradigmas e superando preconceitos.

    temos que aliar a experiência com a inexperiência, para atender a gregos e troianos, incuídos e excluídos, azuis e verdes, brasileiros e argentinos. ;P

    temos que ouvir nossos avós falando que o mundo está perdido e usarmos a afirmativa a favor da solução de todas as mazelas da vida. =O

    cada um fazendo um poquinho, como equipe, aliando tudo quanto é experiência e vivência, no meio e lugar mais fácil e prazeiroso de se adquirir e distribuir informações.

  3. Anthrax

    Eh meu caro Cezar, acho que o buraco é bem mais em baixo. Hoje o problema não está somente nos glichês do mercado, existe também o problema da geração control cê control vê…

    90% dos jovens desta geração entre 18-25 anos só sabem ter idéias copiadas. Pressionados e principalmente iludidos com uma promoção de curto prazo, fazem de tudo para subir rapido não importando se estão fazendo com responsabilidade ou não, se estão copiando ou não, afinal eles só querem mesmo é tirar o deles da reta e se dar muito bem pra contar vantagem depois…

    Pois eh meu caro… são crianças que cresceram tendo Xuxa como ídolo quando criança e pré-adolescente, que cresceram vendo Malhação na adolescência e hoje assitem ao Big Brother enquanto estão virando adultos…[risos]

    O que esperar destas pobres criaturas ?
    Compromisso com a responsabilidade ? Não..rs
    Acontecer e aparecer a todo custo passa ser uma virtude…

  4. Cris

    Sensacional. Quando trabalhava em agência, sentia exatamente isso (e olha que nem era online).

    Os famosos tituleiros. Criatividade-umbigo. Filminhos de publicitários para publicitários.

    Ainda hoje, quando assisto a um comercial na tv ou uma campanha online, já sei quando foi feito por uma pessoa muito nova (e do sexo masculino).

    Há uma grande burrice no mercado em valorizar esses jovenzinhos ávidos por dar a vida pela propaganda, pois eles acabam não dando nada.

    Para dar vida, tem-se que viver. Ó só o paradoxo.