O concorrente do designer não é o sobrinho

Nova Escola de Marketing
27 de janeiro de 2016

Um empresário acha seu portfólio na internet e leva para um profissional que vetoriza a imagem escolhida e faz tudo que ele precisa - site, cartão, folder etc... Você pode lamentar ou se precaver.

Concorrente do designerVejo designers reclamando dos “sobrinhos” que oferecem “logomarca” por R$ 50,00 como se isso fosse seu maior problema. Mal sabem os designers que o maior inimigo é outro!

O sobrinho, também chamado de micreiro, basicamente é um cara sem qualificação, que oferece serviços por trocados. Os designers consideram isso um problema. Será mesmo?

Em primeiro lugar, se o trabalho é amador, por que você está preocupado? Seu trabalho não é superior? Bom, se seu trabalho fosse tão ruim quando do sobrinho ou o dele tão bom quanto o seu, tanto faz, acho que você precisaria se reciclar urgentemente ou mudar de profissão.

Um ponto importante que mencionei logo acima – o designer amador oferece os serviços dele a preço de banana… mas é o trabalho dele, então deixa o cara. Se o cliente se contenta com um trabalho amador, muitas vezes feito em cima de um template gratuito, é o que ele pode pagar. Esse “cliente” poderia perceber valor no seu trabalho?

Você acha mesmo que ele se importa se você usou a proporção áurea, a teoria de gestalt ou a teoria das cores? Então vamos deixar claro que esse cara não é seu cliente e nunca foi, então não adianta reclamar no Facebook.

Mas você tem um inimigo oculto e muitas vezes nem se dá conta disso! Sabe quem é ele? O “tio da gráfica”!

O concorrente do designer

Situação 1

  • Você recebe um e-mail de um cliente que diz que gostou do portfólio. Ele passa um briefing e pede três opções de logotipo para te contratar. Daí você manda as três opções, naturalmente com uma “marca d’água”. Depois disso o cliente some.

Situação 2

  • Você descobre na internet uma empresa usando um logotipo igual (ou quase igual) a um que você criou, fica bolado e vai reclamar nas redes sociais etc…

O que aconteceu nesses dois casos?

Vamos voltar a história e contar ela direito?

Situação 1. Você recebe um e-mail de um cliente que diz que gostou do seu trabalho, passa um briefing e pede três opções de logotipo para te contratar. Você manda as três opções, mas com “marca d’água”. Não precisa dizer que o seu cliente some.

O cliente some, pega o seu arquivo de baixa resolução, com “marca d’água” e leva para o tio da gráfica, vamos chamá-lo assim. Não é um sobrinho, não é um micreiro, é um profissional que domina a técnica e vetoriza seu logo de baixa, gera tudo o que é precisa para site, cartão de visita, Facebook etc…  

Situação 2: Um empresário espertinho acha seu portfólio na internet, gosta de algum trabalho, salva a imagem e leva pro “tio da gráfica”, que vetoriza a imagem e faz tudo que ele precisa (site, cartão, folder, etc…).

Um tempo depois você descobre na internet uma empresa usando um logotipo igual (ou quase igual) a um que você criou e fica bolado. Agora é o momento em que você faz “ohhhh!” e depois diz:

Ah, mas eu tenho como “provar” que fui eu que fiz, tenho os arquivos no meu micro, tenho os e-mails que mandei para o cliente…

E eu venho com as más notícias: nada disso vale como prova.

Em especial os arquivos no seu micro, esses não valem nada mesmo! Os e-mails, se for possível solicitar judicialmente para o provedor uma cópia e, se mediante uma perícia ficar comprovado que não houve adulteração, talvez sejam aceitos como prova, senão já era.

Mas perícia custa caro! Além disso, os provedores não guardam cópias dos e-mails por muito tempo e, para completar, para solicitar tais cópias você precisa fazer isso judicialmente. Ou seja, precisa ter entrado com um processo judicial e gasto no mínimo uns dez mil reais com um advogado.

Já está chorando? Então calma, porque há solução – eu não me daria ao trabalho de levantar um problema sem ter a solução.

Como se proteger

Lembra o cliente que pediu três layouts? Manda pra ele, sem stress… mas antes registre o direito autoral do seu trabalho (nesse caso você é autor e titular, pois não transferiu os direitos patrimoniais do trabalho para ninguém ainda). Se depois disso ele usar sem pagar, você tem uma prova de anterioridade válida judicialmente.

Se ele escolher um dos layouts, certamente vai pedir alguma alteração ou coisa assim. Você faz, daí registra o copyright do resultado final, mas desta vez indicando o cliente como titular do registro (você é autor, ele titular, pois pagou pelo trabalho).

Se ele ou qualquer outra pessoa usar um dos layouts “não aprovados”, você pode até processar essa pessoa ou empresa se usarem o trabalho pelo qual seu cliente pagou (ele é o titular).

Você também pode processar o empresário espertinho, sabia? Sim, pois você é o autor, que transferiu os direitos patrimoniais para o seu cliente, mas não transferiu nem os direitos patrimoniais nem os direitos morais do trabalho para esse pirata.

Então você pode processá-lo por violação dos seus direitos morais e seu cliente também pode processar esses cara, por uso indevido de marca de terceiros (caso tenha registrado a marca no INPI) e por violação dos direitos patrimoniais (que você registrou lá no início da história, lembra?).

Se você precisa de um motivo concreto para proteger o direito autoral (copyright) dos seus trabalhos, agora já tem E esqueça os sobrinhos, eles nem sabem o que fazem… o seu real problema pode estar antes da impressão. [Webinsider]

…………………………

Leia também:

 

Avalie este artigo:
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (2 votes, average: 4,50 out of 5)
Loading...
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someone

6 respostas para “O concorrente do designer não é o sobrinho”

  1. Oi Rudinei,

    O que você disse é a mais pura verdade. Infelizmente temos que tentar nos proteger de todas as formas, pois no mundo atual não podemos confiar em mais ninguém, muito menos nos empresários espertinhos.

    Acredito também que registrar o trabalho é a melhor saída.

    Abraço

    • Adriano,

      Muitos produtores de infoprodutos tem registrado conosco, tem até alguns cursos de empreendedorismo digital que estão recomendando nosso registro, parece que o pessoal está se conscientizando!

      Atenciosamente,

      Rudinei Modezejewski

  2. Rogério Foster Vidal disse:

    Rudinei, você falou como um profissional da área, mas infelizmente isso no Brasil não vinga! Eu tenho um problema sério mas quem me “pirateou” foi um grande escritório de São Paulo e o cliente dele é uma grande estatal Estadual.
    O meu cliente registrou a marca no INPI e o próprio INPI liberou, no caso, o símbolo, para a estatal! Isso prova que no Brasil ,mesmo registrado, você não tem proteção! Meu cliente entrou com uma ação e mesmo provando o registro, o juiz deu ganho de causa para a estatal e o cliente ficou com raiva de mim! Tirou o branding da minha mão e passou para outro colega, que infelizmente não seguiu a minha linha de raciocínio. Também tem isso, colegas e “colegas”que não tem ética. Se a profissão de Designer fosse regulamentada, teríamos uma base jurídica com que trabalhar em cima e tentar nos proteger melhor. Eu sou Associado de uma Associação profissional de Design e essa PROÍBE terminantemente dar “petiscos” de criação para empresários e seja em quem mais for, se não houver um contrato antes, nada feito! Esse é o problema!!! Não é micreiro super capacitado, não é colega desonesto, mas sim uma cultura no Brasil em que nós Designers somos os vira-latas da criação e sem proteção nenhuma, inclusive do próprio INPI! Fica muito fácil falar de proteção sem regulamentação, pois os empresários do nosso pais se recusam a pagar pelo nosso trabalho e acham que devemos pagar a eles pela “honra” dele aceitar. Lamento, mesmo brigando na justiça o Designer perde no Brasil! Com muito poucas exceções, como o caso do Antônio Bernardo ,que é um Designer Joalheiro! Lamento mas suas assertivas não procedem com a realidade do mercado de trabalho no Brasil que por essa causa virou um verdadeiro “bundalêlê”! Muitos colegas estão desistindo da profissão por essa causa! Não há remuneração, respeito e honestidade! Virou um vale tudo que só leis concretas e oficiais podem, não vão resolver imediatamente,começar a dar um formato possível para esse profissional poder trabalhar direito! E desculpe, o Tio da gráfica que faz o que fez, devia ir para a cadeia, se aqui houvesse honestidade! Nunca trabalharia com uma gráfica dessas! Lá fora, esse tipo de Job na gráfica não seria aceito! A Gráfica se recusaria a fazê-lo! Se fizesse seria penalizada!

  3. Ed disse:

    Muito bom Rudinei. Parabéns!
    Que experiência de leitura prazerosa!

    Compartilho da mesma opinião. O concorrente do Designer não é o sobrinho. E um cliente que não se importa com um serviço amador realmente não é cliente para um Designer.

    Eu colaboro em um blog onde abordamos sobre o assunto “sobrinho” em um vídeo. Então se você me permitir vou deixar minha contribuição aqui:

    http://chiefofdesign.com.br/quem-nunca-foi-sobrinho-um-dia/

    Espero que seja útil para seus leitores. Abraço!

  4. Lucinete disse:

    Ólá Rudinei Modezejewski, estamos fundando um jornal em nossa cidade (Iguatu no Ceará) gostaria de saber como descobrir se o nome já foi registrado por outra pessoa? E se jornal impresso é necessário fazer registro.

    Aguardo retorno,
    Lucinete ( 88 ) 9 99160833

  5. […] proteção você perde dinheiro com clientes malandros que pegam seu layout, passam pro “tio da gráfica“ vetorizar, depois usam e não te […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *