Wolfram Alpha e DuckDuckGo, buscadores à moda antiga

07 de junho de 2016

Para acertar nos anúncios, os resultados de busca são influenciados pelos dados que vocês espalha por onde navega. Conheça buscadores que optam por não considerar estes dados.

Os anúncios exibidos nos resultados de buscas são muito importantes. Apesar de não afetarem diretamente as buscas, afetam a receita do buscador e a capacidade dele em melhorar sua busca.

Os bons anúncios, todos sabem, são aqueles apresentados para o público certo.

Mas como saber quem é o público certo? Bem, a resposta passa pela “quebra de privacidade”.

Antes da internet

Tradicionalmente no marketing, uma campanha é feita tendo um público-alvo em mente, porém é exposta a um público bem maior. Pense nos anúncios de TV, rádio, outdoors e outros formatos e você vai perceber o que digo. Se você é uma jovem de 18 anos, por que iria se interessar por um anúncio sobre disfunção erétil em homens de meia idade? Você não quer, mas acaba vendo, porque tradicionalmente não há meios eficazes de restringir a exposição ao público-alvo.

O máximo que a TV permite, por exemplo, é a escolha de um canal ou de um horário (ou de um programa), onde é mais provável que determinado público assista.

Por exemplo, donas de casa assistem TV de manhã e à tarde, enquanto homens de negócio em geral só assistem o noticiário noturno (desculpem os estereótipos, mas é assim que eles pensam e em parte estão certos). Logo, se você quer vender um novo processador de alimentos, anuncie nos intervalos daquele programa de culinária que passa de manhã. É o óbvio.

Depois dos buscadores

A internet mudou isso. Com a internet e seus buscadores temos hoje o inbound marketing, ou marketing da atração, que é uma forma chique de dizer que agora é possível criar anúncios super verticalizados para um público muito específico.

Como? Bem, se você busca por “processador de alimentos”, não importa quem você seja, exibir um anúncio de um novo processador faz bastante sentido, não? Não há porque exibir outra coisa.

E é assim que Google e outros ganham dinheiro: eles conseguem exibir anúncios direcionados à sua busca, que tendem a ser vistos por um público bem suscetível naquele momento.

Mas o que a privacidade tem com isso? É que eles não pararam por aí.

Nem todo mundo sabe, mas hoje ao navegar em sites, fazer buscas e usar serviços, você é rastreado, seus interesses são “anotados” e podem ser usados como critério para anunciantes.

Isso não é feito por uma empresa só, é feito por várias delas, muitas vezes em consórcio. Nenhuma informação pessoal ou confidencial é coletada (até porque isso é bem difícil), mas eles conseguem inferir (nunca “saber”) o seu sexo, idade, suas preferências e interesses etc. E isso basta aos anunciantes.

Devo me preocupar com privacidade?

Há uma briga acontecendo entre os interesses privados e a proteção da sua privacidade. O primeiro grupo garante que nenhuma informação pessoal é coletada, que a prática não traz nenhum mal a você (muito pelo contrário, eles dizem) e que além de tudo você concordou, pois essa coleta faz parte dos Termos de Uso ou Política de Privacidade dos sites que você usa, e com as quais você concordo por omissão (i.e., concorda porque usou o site).

Uma variante dessa questão de privacidade você já deve ter percebido se usa o Google há algum tempo. Os resultados do Google variam conforme você está logado ou não no Google (se usa Gmail, YouTube ou outro serviço da conta Google). Seu histórico de buscas, cliques e navegações e sua localização geográfica são considerados quando você está logado.

O argumento do Google é que tudo isso junto aumenta as chances dele oferecer a melhor resposta às buscas. Algumas pessoas acham isso um intromissão muito grande na sua privacidade, outras não percebem ou nem ligam. Mas foi o bastante para que surgissem soluções focadas em privacidade.

 

Buscador DuckDuckGo

 

DuckDuckGo, buscador que respeita a privacidade

DuckDuckGo é um buscador novo, que vem ganhando visibilidade e market share, pois permite uma experiência de busca na web sem comprometer a privacidade.

O que ele faz é dar a mesma resposta, independente de quem está buscando, inclusive nos anúncios, que reagem somente à sua palavra-chave. Os anúncios usam a solução Yahoo Ads, que é concorrente do Google AdWords. A experiência de busca é “padrão Google”, no sentido que a interface é bem parecida.

Uma outra diferença interessante é que as páginas seguintes são carregadas automaticamente quando se chega ao final de cada uma, o que favorece muito os resultados que não conseguiram atingir a primeira página.

Uma vez que o DuckDuckGo é um novo player em um mercado já estabelecido, ele já nasceu com muitas das facilidades que o Google levou anos para oferecer. Entre elas, temos o equivalente ao Knowledge Graph, que é o mecanismo que permite ao buscador dar uma resposta mais elaborada a determinadas buscas.

Em geral, a resposta a uma busca é uma série de links para páginas que falam sobre aquilo. Mas algumas respostas são dadas “na ponta da língua” pelos buscadores, sem a necessidade de abrir um outro site.

Por exemplo, veja abaixo as resposta do Google, Bing e DuckDuckGo à busca “população do Brasil”. Podemos ver que o Bing só deu páginas como resposta, mas os outros dois elaboraram um pouco mais. Eu não preciso ir além (i.e. abrir nenhuma outra página) se o que eu queria saber é qual a população do Brasil, e mesmo como ela variou recentemente. Em muitos casos, essa resposta basta, e isso é considerado uma “boa experiência de usuário”.

 

Buscador inteligente - Brasil Google

 

A população do Brasil segundo o Google

 

Buscador inteligente Bing

Segundo o Bing

 

Buscador inteligente DuckDuckGo

Segundo o DuckDuckGo
 
 

Um dos buscadores que começaram essa onda de “respostas elaboradas” foi o Wolfram Alpha, que pode ser visto como uma interface para uma “máquina de conhecimento computacional”. Ao invés de listar páginas que falam sobre algo, ele mostra o que sabe sobre o assunto. Não há suporte a Português, mas podemos ver alguns exemplos interessantes, por exemplo, buscando por “pelé”:

 

Buscador Wolfram Alpha

 

Resultado da busca pela palavra-chave “Pelé” no Wolfram Alpha

Um toque de humanidade

Uma coisa que nenhum buscador pode fazer (será?) é dar uma opinião sobre um assunto qualquer. Sempre que uma busca subjetiva é colocada, temos um problema de difícil solução. Por exemplo, a busca “melhor praia do rio de janeiro” é problemática. Quais critérios importam? Melhor para quem?

Uma pessoa respondendo essa mesma pergunta poderia dar não apenas uma resposta, mas todo um argumento para justificá-la, o que poderia ajudar o usuário a tomar sua própria decisão. Um buscador não é capaz de fazer isso, e o melhor que pode fazer é listas de sites que discutem as melhores praias.

O problema de listar tais sites numa busca subjetiva é que o resultado é facilmente manipulável. Por exemplo, pode-se criar páginas otimizadas para essa busca, que tenderão a ser listadas como primeiras respostas. Mas há alternativa? Sim, há! São as comunidades de especialistas.

Uma comunidade de especialista é um site onde o público pode postar perguntas, e a comunidade (com leigos e especialistas) respondem da melhor forma de podem.

Naturalmente, sendo uma comunidade aberta, há muito lixo (tanto em perguntas quanto em respostas), mas em geral há muita resposta boa e de autoridade. Como exemplos destas comunidades podemos listar o StackOverflow, Ask.com, Quora, Yahoo Respostas e aquele fórum famoso que todo nicho possui. A força desses sites é tal que o Ask.com já é o quinto mecanismo de busca mais utilizado no mundo.

O apelo destes sites é, claro, que uma resposta direta e argumentada costuma estar disponível para a sua dúvida específica. Ao buscar “melhor praia do rio de janeiro” no Yahoo Respostas, por exemplo, vemos algumas discussões, e filtrando as respostas inúteis temos algumas boas sugestões, sendo que Urca ou Praia Vermelha levam o prêmio de melhor praia. [Webinsider]

Leia também:

Entenda o mercado de buscadores (e o seu site com isso)

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