OLED ou QLED? A suposta guerra entre as TVs coreanas

Nova Escola de Marketing
06 de setembro de 2017

Fabricantes oferecem ao mercado TVs com tela OLED e com pontos quânticos, com o nome QLED. Em nenhum momento se pode afirmar que uma é superior à outra.

Alguns sites dizem ter começado uma guerra entre as coreanas Samsung e LG após a CES de 2017, baseada na defesa das tecnologias de formação de imagem que foram abraçadas pelas duas empresas, respectivamente QLED e OLED.

Não há nada que indique que a Samsung vá ficar parada esperando a banda passar. Notícias divulgadas pela rede dão conta de que a gigante coreana estaria investindo pesado em tecnologia OLED, e se isto for verdade abrir-se-á uma concorrência saudável que poderia em tese derrubar os preços extorsivos praticados pela concorrente com as telas desta tecnologia.

No momento, o que a Samsung aparentemente está fazendo é trocar o O pelo Q, dizendo que as diferenças não justificam capitular do uso de LEDs no backlight. A troca pura e simples de uma letra pode, e provavelmente vai, confundir usuários que não estão familiarizados com ambas as tecnologias!

OLED ou QLED?

Eu confesso logo ao leitor que a imagem OLED me fascina, eu a tenho no telefone celular e imagino ser ótima em uma tela maior, onde discriminações podem ser feitas. Mas… tudo indica que ainda haverá muito choro e ranger de dentes entre os usuários que abraçaram esta tecnologia nas telas de TV que lhes custaram uma pequena fortuna, e neste caso eu sou um que estou fora, prefiro esperar para ver.

Testes recentes indicam que a tela OLED tem uma tendência à retenção da imagem, podendo resultar no temido burn-in das antigas TVs de plasma, e de forma permanente. É fato que este problema poderá ser contornado eventualmente.

Entre as possíveis soluções estaria a interpolação de telas pretas (sem imagem), chamada de BFI (“Black Frame Interpolation”), técnica atualmente usada para alterar o tempo de resposta das TVs com backlight de LED.

Pessoalmente, e levando-se em conta as bases da tecnologia OLED, eu não vejo problemas de burn-in que não possam ser resolvidos. Em monitores LCD de alta resolução existem ferramentas de recondicionamento de cristais parcialmente empacados, então porque não com o material orgânico das OLEDs?

Entre os sites que eu leio e dos quais respeito as opiniões de seus analistas está o RTings, o qual recentemente publicou um ensaio comparativo entre as duas tecnologias, e ainda incluiu o LED sem Quantum Dot.

Quantum Dots e Diodo Orgânico foram repetidamente ventilados nesta coluna. Essencialmente, ambos têm seus prós e contras, mas representam algum avanço na tecnologia de telas.

Talvez o maior percalço do uso de Quantum Dots esteja na relação custo benefício, porque é possível montar um conjunto de LEDs sem QD e ainda assim conseguir uma uniformidade no espectro de emissão da luz do backlight. É o caso, por exemplo, do cluster Triluminos, desenhado pela Sony.

E talvez o maior percalço da tecnologia OLED esteja no fato de que o diodo é o próprio emissor de luz, ou seja, não precisa de ajuda de algum tipo de backlight. Pode até ser muito bom, em princípio, mas se a quantidade de luz emitida for insuficiente, a imagem irá carecer de contraste adequado em cenas críticas, sem falar na imagem HDR, que precisa de uma luminância em nits muito alta, coisa que uma tela OLED tem dificuldade de conseguir.

E isto parece bastante evidente nas medições publicadas em vários sites, dando conta da luminosidade mais baixa de uma tela OLED, perdendo feio para telas convencionais de LED, e prejudicando o seu desempenho no tratamento de imagens HDR.

Não basta somente escolher a tecnologia

Pode até parecer óbvio, mas a verdade que assombra o consumidor de telas é a de que por trás de cada tecnologia existem miríades de fatores que determinam a qualidade final da imagem obtida.

Em tese, isto na prática significa que uma simples TV LCD com LEDs convencionais pode fornecer uma imagem de alta qualidade, o que deverá satisfazer a imensa maioria dos consumidores.

O que os analistas procuram fazer a todo o momento é comparar telas com tecnologia diferente, na expectativa de avisar o usuário sobre os prós e contras. Mas, e quanto à tecnologia dentro da tecnologia?

É perfeitamente aceitável que um modelo OLED tenha falhas visíveis não por causa da tecnologia em si, mas por problemas no processamento de vídeo dentro da TV. E o mesmo se aplica às TVs equipadas com pontos quânticos.

Em nenhum momento se pode afirmar conclusivamente que uma tecnologia é superior à outra. Se assim o fosse, os fabricantes desistiriam daquela que não apresenta resultados satisfatórios e apostariam na outra exclusivamente.

Via de regra, o que a grande maioria dos fabricantes de TV faz é esgotar todo o arsenal de recursos, na forma de novos processadores de vídeo principalmente, até que uma dada tecnologia seja virtualmente abandonada. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as TVs com tela de plasma.

Neste momento, um enorme obstáculo na produção de telas com diodo orgânico é o custo de fabricação e o preço no varejo. Se este último não cair em algum momento do futuro próximo, todo o esforço fabril terá sido em vão.

Em condições melhores estão as TVs com pontos quânticos. A tecnologia em si está bastante madura e em franca evolução, muito ainda se pode fazer e projetos novos colocados em perspectiva.

O mercado brasileiro é uma incógnita

Diante de um cenário de preços elevados, em um país em crise econômica recessiva e alta taxa de desemprego, a tecnologia de qualquer coisa fica restrita aos privilegiados. O mercado de massa sofre, a ponto de sucatear produtos interessantes.

Um exemplo que me parece muito claro disso é a ausência de reprodutores de mesa para Blu-Ray 4K, e a respectiva ausência de discos deste formato. Além desta ausência, o que se nota é a diminuição drástica de discos Blu-Ray convencionais, em favor de DVDs.

Aonde isto vai parar só mesmo vendo vidente, munido com uma bola de cristal confiável. Fosse o Brasil um país evoluído em questões de justiça e de consciência política, a situação poderia ser bem outra. No país não faltam os recursos que na Europa são escassos, mas a ganância fala mais alto, e não há limites para se conquistar fortuna com o desfavor dos desafortunados.

Por isso, o mercado consumidor está levando um baque atrás do outro. Produtos que requerem um maior investimento do consumidor vão ficando cada vez mais para trás. E neste ponto, as discussões sobre as diferenças da tecnologia de qualquer coisa se tornam cada vez mais irrelevantes.

Se não há dinheiro disponível, o cidadão comum vai consumir o quê? [Webinsider]

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2 respostas para “OLED ou QLED? A suposta guerra entre as TVs coreanas”

  1. Fábio F disse:

    Eu me considero um viúvo das telas de plasma. Tenho uma Panasonic plasma 42 full Hd da qual só me separarei se ela parar de funcionar ou se eu tiver condições de adquirir um projetor full HD. Do contrário, ela fica, pois acho a imagem absolutamente linda, questão de gosto pessoal mesmo. Lamento até hoje o sumiço das plasma do mercado…

    • É Fábio, eu sei que é duro, mas o abandono de formatos na tecnologia se baseia no que as fábricas enfrentam. Muitos anos antes da TV de plasma ser abandonada, eu tinha amigos na engenharia da Sony que me contaram os dramas. A Sony havia decidido abandonar o formato já naquela época, mas não o fizeram rapidamente. Vários fabricantes começaram a atacar o burn-in fazendo desvio de pixels, mas outros tipos de problema deixaram a tela de plasma em desfavor, e eu, que nem engenheiro nem expert desta área sou, posso lhe citar vários. Basta te dizer que à medida em que a densidade de pixels aumenta a fabricação dos mesmos fica cada vez mais crítica. E as fábricas não podem aumentar os custos pelo aumento de rejeição dessas telas, percebe?

      O que torna, em princípio pelo menos, a introdução das OLEDs preocupante, e já não é a primeira vez em que óbices são colocados para este tipo de pixel. É uma pena porque a imagem normal é muito boa, em HDR nem tanto.

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