Discos Blu-Ray 4K novos têm apresentado problemas de reprodução depois de um certo tempo guardados na sua embalagem. O problema pode às vezes ser resolvido com a ajuda de uma limpeza com pano microfibra.
O Blu-Ray 4K foi até agora um tremendo avanço de mídia gravada, com a reprodução da imagem em resolução mais alta, aliada ao tratamento com HDR e mixagem com som 3D. Mas, em contrapartida, o tempo nos mostrou relatos diversos de problemas de reprodução, tipo congelamento da imagem, pixelização e até parada total da reprodução.
No passado longínquo problemas desta natureza afetaram videodiscos e DVDs, mas ocasionalmente Blu-Ray também. Os fabricantes de transportes e pick-up óticos aumentaram muito a confiabilidade da leitura dos discos, e na maioria das vezes uma simples limpeza da lente deste pick-up com álcool isopropílico resolve isso.
Infelizmente, o problema voltou com os discos 4K UHD. E é preciso, neste caso, levar em consideração a estrutura física da camada de leitura dos discos óticos: as depressões, chamadas de “pit” e as superfícies planas, rotuladas como “lane”, termos do original inglês. A modulação entre essas áreas na superfície de leitura do disco é o que permite ser resgatada a informação digital de uns e zeros, que é transmitida com bitrate constante ou variável.
As informações de vídeo são mais elaboradas e mais críticas no processo de leitura dos discos. O aumento da memória, neste caso, é o que irá justificar as diferenças físicas entre um disco e outro. Uma postagem na Internet mostra esta diferença, na escala de 1 µm:
Por aí se pode perceber que a leitura ótica de um CD é muitíssimo menos crítica do que a das outras mídias. Um DVD tipicamente contém uma capacidade de memória de 4.7 a 17,8 GB, este último no disco der camada dupla. Um disco Blu-Ray exigirá discos com 25 a 50 GB de informação. Mas, um Blu-Ray 4K deverá ter 66 GB em dupla camada, alcançando 100 GB em camada tripla.
Na prática, isto significa que a leitura e reprodução de um disco Blu-Ray 4K é muito mais crítica e exige que a superfície do disco esteja impecável, livre de contaminantes de qualquer espécie.
A contaminação química das embalagens
Eu, como muitos colecionadores, venho experimentando falhas na reprodução de discos 4K que antes disso tocavam perfeitamente. A explicação até agora mais plausível é a da contaminação da superfície dos discos pela desgaseificação do plástico preto usado na embalagem desses discos, exclusiva do formato 4K.
A desgaseificação é fruto da volatilidade de compostos orgânicos usados na polimerização dos plásticos, quando submetido a variações da temperatura ambiente, como calor ou frio. O processo em si é lento e geralmente ocorre depois de algum tempo do disco armazenado nas prateleiras, o que explica porque um disco só apresenta os artefatos de reprodução depois de algum tempo guardado.
Felizmente, existe uma camada de proteção do policarbonato dos discos óticos, que pode perfeitamente impedir que o seu interior seja afetado. Em outras palavras, o dano é temporário, e pode, em tese, ser consertado.
O reparo, neste caso, é o da limpeza cuidadosa da superfície do disco afetado. Até agora, a melhor limpeza é feita com um pano de microfibra, que é uma flanela feita com polímeros do tipo poliéster, capazes de “agarrar” os contaminantes. A estrutura física da microfibra trabalha como uma fibra capilar (microscópica), capaz de atrair de volta partículas incrustradas na superfície do disco. A fricção da microfibra com o plástico produz uma carga eletrostática, que ajuda a remover os contaminantes.
A limpeza deve ser feita sempre passando o pano seco do centro para a borda, no sentido do raio do disco, nunca de forma circular, como sugerem alguns usuários que postam vídeos no YouTube a este respeito.
Eu já fiz um teste com um disco que começou a congelar em uma cena, e depois em outras, ou seja, obstrução parcial de reprodução. Antes de limpar, levei o disco ao computador, que mostrou uma reprodução ainda pior, com falhas na trilha sonora soando toda tremida. Depois de limpo com a flanela de microfibra, o disco voltou a tocar normalmente no computador, e sem falhas na trilha sonora. Levado à sala, onde tenho um Oppo UDP-203, uma das cenas passa com alguns congelamentos, o resto reproduz normal.
Esta foi a primeira tentativa de limpar o disco. É possível que partículas de contaminantes possam nunca ser removidas. Notem que não é possível inspecionar o disco a olho nu, nem antes nem depois da limpeza. Assim, tudo se resume a um processo de tentativa e erro.
O processo de limpeza acima descrito deve ser complementado de outra maneira no estojo onde o disco está guardado, porque ele seria o culpado pela contaminação, quer dizer é preciso limpar também a embalagem, com detergente ou álcool, se for necessário, quando a superfície se mostra oleosa. E antes de guardar os discos de volta no estojo ter certeza de que ele está limpo e seco.
Até este momento, eu constatei problemas apenas na reprodução de discos Blu-Ray 4K. Em discos Blu-Ray convencionais eu ainda não tive problemas deste tipo, muito embora já tenha dois discos que simplesmente não reproduzem mais e foram descartados.
Teoricamente, a mídia ótica é resistente e durável. O que se nota dentro de casa pode ser atribuído à tradicional falta de controle de qualidade de quem manufatura os discos. Como no passado foram inúmeros os casos deste tipo de problema, era de se esperar que os estúdios tomassem o máximo de cuidado possível, e quando se vê nos fóruns queixas em massa, dá para perceber que este não parece ser o caso! [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.










