Informática é a menos exata das ciências

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Quem acredita que a informática é uma ciência exata? Isso podia até ser verdade quando existia um computador e meia dúzia de técnicos. Hoje, com chips espalhados em cada canto da casa, passou a um fenômeno de todas as ciências.

O problema é que nem todo mundo acredita nisso. Basta ver as universidades que abrigam o departamento de informática na área das Ciências Exatas. Esta deturpação tem conseqüências bilionariamente prejudiciais à economia das empresas e do país.

Pare para pensar. Você acredita realmente que existe alguma lógica ou regra no tripé: equipamentos, sistemas e pessoas?

Vejamos:

O equipamento é um conjunto de peças feitas em diferentes países, que foram montadas ontem e ainda estão em processo de adaptação.

O software é um texto comprido, escrito rapidinho para anteontem, “pois vamos revisar tudo na próxima versão”.

E o usuário final é aquele que tem que aprender de manhã, antes que perca o emprego, sobre os programas que vão ser mudados logo mais à noite.

Todos esses estão no ambiente corporativo unidos para gerar riqueza. Neste complexo mar de variantes, onde está a exatidão?

Faça uma pesquisa. Os atuais gerentes de tecnologia da informação das grandes empresas são cada vez menos exatos e com formação cada vez mais eclética. Dificilmente, você vai encontrar uma pessoa que tenha uma visão reta do mundo. É um pessoal acostumado às curvas, mais arejado, menos exato e com um pé nas Ciências Humanas, Políticas, Sociológicas e Administrativas.

A formação da informática é careta, fechada, focada nas máquinas e pouco nas pessoas, das empresas e da sociedade. Enquanto isso não mudar, a taxa de erro vai continuar alta.

Acompanho este problema há anos. Inicialmente, como um curioso, agora como profissional: me especializei em ajudar empresas a evitar ou resolver problemas de tecnologias mal instaladas.

Fiz aqui as minhas “Nove leis para uma implantação tecnológica com sucesso”. (Sim, nove, já que dez seria um número muito redondo para um artigo tão inexato).

São elas:

1. Crie equipes com a participação dos usuários (realmente finais), desde o começo para apoio no processo de desenvolvimento ou compra;

2. Não encare o item “qual é a ferramentas mais fácil de usar?” como frescura;

3. Não justifique a escolha baseada APENAS no cenário tecnológico futuro, geralmente superdimensionado. Resolver problemas do agora, de vez em quando é bom;

4. Crie uma equipe para o acompanhamento do uso. Coloque gente criativa e comunicativa nela, que terá como missão: treinar, ajustar, afinar, interagir com usuários e acompanhar novidades do mercado;

5. Não faça um treinamento pacotão, customize. Faça projetos pilotos, aprenda com as primeiras turmas, modifique–o até chegar no melhor método e aí reproduza em grande escala;

6. Crie grupos de discussão e ambientes colaborativos para fomentar a troca das melhores práticas e experiências;

7. Armazene em um espaço na intranet todas as dúvidas e informações sobre o uso daquela tecnologia, descubra e divulgue os usuários que a conhecem mais;

8. Promova encontros presenciais regulares para troca de experiências dos interessados;

9. Por fim, não procure exatidão onde ela não existe.

A formação dos técnicos

Ou seja, até que as universidades humanizem a formação dos técnicos em informática, lute bravamente para criar uma cultura multidisciplinar na escolha dos rumos tecnológicos da sua empresa, pois a única exata certeza que temos na computação é que exata ela não tem nada. [Webinsider]

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Carlos Nepomuceno: Entender para agir, capacitar para inovar! Pesquisa, conteúdo, capacitação, futuro, inovação, estratégia.

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