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O fim da TV a cabo

A TV a cabo tende a desaparecer, principalmente nos grandes centros, por força do alto custo operacional e da concorrência dos canais da Internet.

 

Embora não esteja oficialmente decretado, o fim da TV por assinatura com o uso de cabo coaxial está próximo do fim, graças principalmente aos serviços de streaming e aos sites que veiculam vídeo.

A televisão chegou no Brasil na década de 1950, ainda cheia de amadorismo e problemas técnicos. No Rio de Janeiro, segunda capital a ter uma emissora de TV, que foi a TV Tupi, canal 6, a transmissão de TV enfrentou todo o tipo de obstáculos, porque a cidade é pródiga de morros, na maioria dos bairros.

Minha família morava em uma rua próxima de um desses morros, e com um agravante: entre o morro do Sumaré, onde ficavam as torres de TV, e a rua, ficava um outro morro, bloqueando o sinal. A consequência disso foi o da recepção do sinal de TV de forma indireta, e cercada de fantasmas e chuvisco. As famílias que se dispuseram a comprar um aparelho de TV tiveram que se esforçar para instalar uma antena externa adequada, normalmente colocada no telhado das casas e dos prédios.

Lá em casa, a chegada de um aparelho de TV demorou sobremaneira. Meu pai não era fã de programas de TV e a minha mãe preferia mil vezes ir aos cinemas do bairro, que eram em grande número e de fácil acesso. Eu nunca culpei o meu pai, porque desde cedo a programação de TV era chula. Em 1965, a recém inaugurada TV Globo canal 4, quis mudar isso, mas não conseguiu.

O jornalista Sergio Porto foi um que detestava a programação das emissoras, embora ele mesmo tenho participado dela. Ele costumava chamar a TV de “máquina de fazer doido”! E era mesmo!

Mas, já na década de 1960 a televisão passou a ganhar expressiva audiência, e até o meu pai sucumbiu ao desejo da família de ter um aparelho dentro de casa, que foi uma TV Philips Automatic, moderna para a época, que não precisava de ajustes de sincronismo. Mesmo assim, os problemas de recepção do local nunca foram transpostos.

A chegada da TV a cabo

Foi justamente a dificuldade de ter em casa um sinal decente de TV que propiciou a iniciativa de técnicos antenistas para tentar resolver isso. Um deles, esteve lá na rua, oferecendo a instalação de um antena coletiva. Ele instalara antenas em uma rua vizinha, sem bloqueio de morro, e estendeu um cabeamento para a redondeza, com a ajuda de amplificadores. Infelizmente, alguém fez uma denúncia do cruzamento clandestino de cabos nas ruas e aí aquele serviço acabou.

Em 1993 as organizações Globo fundaram a Net Brasil, e por volta de 1995 o serviço chegou ao bairro, inicialmente com poucas adesões, mas estas cresceram, apesar ao alto preço cobrado na instalação, porque o serviço se tornou essencial para aqueles que não queriam se envolver com a instalação de antenas no telhado e imagens cheias de fantasmas e outros ruídos.

A proposta inicial era atraente: canais estrangeiros com filmes e séries com som original e legendas, ao contrário da TV aberta que sempre usou material dublado. Além disso, prometia-se a não transmissão de comerciais, promessa esta que durou pouco!

De qualquer forma, a adesão para a assinatura da Net se tornou a única alternativa daquele momento. Tempos depois, quem não aderiu decidiu instalar antenas parabólicas, com serviços alternativos.

Mudanças radicais em andamento

O aumento contínuo do preço das assinaturas da Net, depois Claro, impactou o orçamento dos assinantes. Além disso, o número de canais inúteis, empurrados sem escolha ao assinante, fez muita gente que eu conheço desistir de continuar assinando.

Porém, não há dúvida que a relação custo/benefício favoreceu muito mais o uso isolado de streamings, porque o assinante só paga o que ele quer ver, e não fica à mercê de um monte de canais inúteis. Isto se reflete claramente nos atuais pacotes da Claro, oferecendo serviços deste tipo dentro dos pacotes.

A transmissão de sinal por cabo passou a ser economicamente inviável para a Claro, depois que a empresa assumiu o controle da Net. Por isso, o custo operacional com o uso de cabo coaxial deixou de ser uma opção de venda. No lugar dela, apareceram os pacotes Box Claro TV+, através de streaming por IPTV (Internet Protocol Television).

A transmissão de sinal de TV pela Internet não é de hoje, e é recheada de problemas, quando os servidores operam com deficiência de sinal. No caso da Box da Claro, o sistema todo passou a ser um grande aplicativo, que gerencia o uso de aplicativos menores, como os canais de TV, que antes vinham pelo cabo coaxial.

E como o número de assinantes é muito grande, a Claro decidiu fazer a troca aos poucos, embora 2025 tenha sido estabelecido como o ano da transformação. Aqueles que optarem por continuar a usar cabo coaxial poderão fazê-lo, até que o serviço do cabo seja extinto. Quem instalar a tal Box perderá automaticamente o sinal por cabo.

Ainda no ano passado, o processo de troca trazia confusão entre usuários, porque os receptores (ou Box, se quiserem) vêm com entrada de cabo na traseira, e assim muitos acharam que esta entrada garantia a continuação do uso do cabo, o que foi verdade até um certo ponto.

A dependência da Internet

Eu vejo um percalço enorme na eliminação do uso do cabo, que é o uso exclusivo de uma rede local na casa do assinante. A Claro não obriga que o sinal de Internet seja o dela, mas se não houver sinal de outro provedor, a instalação da Box não vai ser possível.

Além disso, e o que é o pior dessa estória, o sinal de cabo coaxial deixou o usuário com sinal de TV e streaming do Claro TV+ sem nenhum tipo de interrupção, e se tornou uma alternativa viável para o usuário não ficar sem sinal algum dentro de casa, quando a Internet sair do ar!

Mas, como a coexistência dos dois sinais agora não vai ser possível, a dependência de uma rede local passa a ser imperativa para quem assina. E vou mais além: o ideal é sempre ter em casa um sinal de sincronismo de valor elevado e uma rede local com o máximo de espalhamento possível, principalmente nas instalações onde o sinal vem por Wi-Fi e não por cabo de rede.

Por outro lado, a Claro vai ter que se virar para enfrentar seus concorrentes no provimento de banda larga por fibra ótica. Esta competição é saudável e necessária, porque dá ao usuário final a liberdade de escolha pelo melhor serviço dentro do seu orçamento. Falando nisso, é de se esperar que o abandono do cabo coaxial venha beneficiar também as despesas de quem assina, senão nada disso terá valido a pena.

Instalação e primeiras observações

Com a mudança para a nova plataforma eu parei de usar o meu velho e bom receptor Net de 4K, que fora uma novidade na época do seu lançamento. Este aparelho foi modificado depois de sucessivas atualizações, uma das últimas transformando-o na Claro TV+, quer dizer, o nome “Net” já havia sumido do mapa. Todos os novos recursos, incluindo HLG HDR, estavam lá.

A Box que eu recebi, por seu turno, é reduzida em tamanho e não tem entrada para cabo, já que o sistema antigo foi desabilitado durante a instalação. O aparelho foi levado para a minha casa por dois técnicos que fizeram a instalação e comentaram algumas modificações. Uma das coisas de cara positivas foi o controle remoto, mais completo e com recursos que o antigo não tinha, como a conexão por Bluetooth. Aliás, este remoto antigo era frágil e foi trocado por um novo diversas vezes, um dos piores que eu já usei.

Durante a instalação, um dos técnicos me perguntou se eu tinha Internet, a mesma pergunta feita pela moça da Claro que me atendeu para agendar a mudança. É óbvio que se eu não tivesse uma rede local funcionando, a instalação não seria possível.

A imagem inicial apareceu na TV com sinal HDR. Depois que os técnicos saíram, eu fui às configurações para mudar a saída do sinal do HDR para “Passthrough”, que é o correto. Fiz também algumas modificações, como áudio e legenda, ao meu gosto apenas.

No geral, a imagem inicial é idêntica àquela que eu já tinha, mas alguns menus foram modificados. Anteriormente, eu tinha a grade completa de canais, e fiquei receoso de tê-la modificado, porque no dia anterior da instalação vários canais, como Telecine e HBO, saíram do ar. Mas, me foi prometido que estariam na grade nova, e estavam mesmo.

Outra coisa que reparei é que, nos procedimentos de instalação, eu entrei com o meu CPF. Na prática, isto significa que eu posso levar a Box para qualquer lugar e ligá-la em qualquer outra TV, ou seja, eu posso sair em viagem, por exemplo, e ligar a Box onde tenha sinal de Internet. Além disso, o contrato com a instalação da Box dá direito ao assinante ao uso de um aplicativo em celular ou outro dispositivo, que emula a interface e os programas do pacote contratado.

A minha instalação é recente, e é um preciso um tempo para perceber alguma mudança importante. Até o momento, eu não achei nenhuma, exceto que não haverá mais o recurso de sinal por cabo coaxial, me colocando, como eu já previa, dependente do sinal de Internet para poder ver TV.

É curioso que, diante da demanda, a instalação foi agendada imediatamente e o novo aparelho trazido pelos técnicos e não enviado a mim, sem cobertura de instalação. Também não vi o tal “delay” (retardo na exibição da imagem) alegado na Internet por quem já instalou.

Mas, é a tal estória: na Internet das Coisas (IOT) a demanda por sinal de rede será cada vez maior, e o bom senso recomenda ter em casa o melhor sinal de sincronismo possível. Atualmente, eu tenho 1 GB pela TIM, só não passo para 2 GB, porque o valor de assinatura é alto e, segundo um técnico com quem eu conversei, a rede ainda não tem estrutura de estabilidade para velocidades acima de 1 GB. Bem, por enquanto, dá para o gasto, vamos ver depois! [Webinsider]

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Nova atualização do decodificador Claro-Net

Decodificador 4k da Net Claro com Netflix

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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4 respostas

  1. Amigo, os aparelhos que tenho são o S4KCW5 que supostamente são híbridos. No tipo de instalação tem opção de cabo e internet, e já notei que se colocar cabo pega a rede local, se colocar internet muda até a numeração dos canais, pelo menos aqui da minha cidade e da numeração que sempre fui acostumado. Como não suporto delay, principalmente por causa do futebol eu deixo no cabo. Esses configurações de passthrough tanto para áudio quanto para imagem acho estranho, sou leigo mas ao mudar a imagem na minha opinião piora, fica mais escura, perde cor, etc. Qual explicação? rsrs
    Sou curioso, então sempre fico ainda mais para saber de fato o hardware desses decoders novos, principalmente o meu atual. Qual HDMI é, 2.0? 2.1 acho improvável. Se um diria haverá codecs como atmos, vision, etc. Gosto de extrair o máximo dos aparelhos. No meu cado uma LG OLED e uma soundbar Samsung.
    E uma curiosidade, até dias atrás tinha o plano de 1GB da Tim, abri uma reclamação na Anatel sobre uma propaganda de Black Friday e a moça que me atendeu ofertou 1GB + 1Gb de degustação por 119,99, perdendo o Netflix. Anteriormente pagava 120 já com Netflix, apenas 1GB. Mas a moça entrou em contato por WhatsApp em um sábado de manhã e horas depois encerrou atendimento pois o prazo pra finalizar a tratativa era domingo. Não achei bacana atitude e abri outras reclamações e a Tim sempre pedindo desculpas e que oferta não era mais válida, depois aceitaram mas aumentaram o valor e continuei reclamando até que ironia a parte o último atendimento através da Anatel foi a mesma moça que me retornou e sem pedir nada, apenas para honrarem com a oferta a mesma efetuou a troca para 2GB por 89,99 por 12 meses. Mas perdi o Netflix mas como já tenho o mesmo através do pacote da Claro TV não me importei. Curiosidade apenas. Abraços!

    1. Olá, Thiago,

      Nada dessa confusão nas tratativas me espanta, infelizmente. Não pense você que eu não passei por isso várias vezes. Até recentemente, o sinal de TIM caía constantemente, com previsões de volta nada otimistas. Um técnico que veio aqui em casa chegou a dizer que o sincronismo de 2 GB na rede estava longe de ser estável.

      No entanto, quando o meu plano da TIM foi recentemente renovado, o sincronismo de rede passou para 2 GB, sem que eu tivesse pedido nada, e sem nenhuma explicação a respeito. Baseado no seu caso, eu imagino que seja uma degustação temporária também. Resta esperar para saber. Agora, a observação daquele técnico não se concretizou até agora, porque o sinal está super estável.

      A configuração “passthrough”, como o nome indica, é aquela que permite que o sinal da fonte passe intacto, isto é, sem qualquer tipo de aprimoramento ou modificação, estas ficando a carga do dispositivo de destino.

      Cabe ao usuário final determinar que configuração lhe atende melhor. No caso do HDR, por exemplo, o default do meu set top box da Claro era ligado. Eu vi isso logo que os técnicos o ligaram pela primeira vez, porque a imagem era tratada como HDR e não SDR. Ao mudar para passthrough a imagem HDR só será exibida na TV quando o sinal da fonte for de fato HDR. No caso de imagem, esta opção determina que qualquer aprimoramento seja feito na TV, e aí você deve observar se o resultado vale a pena.

      A Claro, até onde eu sei, não impede que se use o cabo coaxial, MAS no meu caso me foi alertado que o sinal por cabo seria desativado, como, aliás, o foi no dia da instalação. Este alerta me foi dado mais de uma vez, e os técnicos trouxeram a box sem entrada de cabo pelo mesmo motivo.

      Abraço e boas festas.

  2. Olá Paulo
    Muitos de nós em sua maioria está vivenciando a nova Tv por assinatura (pós era do cabo).
    O pior diagnóstico é:
    – Pacotes cada vez mais caros, conteúdos piorando, e as propagandas insuportáveis.
    Quando chegaremos ao fundo do poço ?
    Um abraço

    1. Oi, Rogério,

      Eu continuo achando que o pior é depender da Internet. Com o cabo coaxial eu só tive perda de sinal uma ou duas vezes durante esses anos todos. Agora, sem Internet a gente fica sem nenhuma alternativa, no meu caso eu ainda tenho uma antena eterna log-periódica, para assistir TV do ar, mas o problema é que ru só assisto TV do ar para ver algum jogo de futebol, mais nada. Por acaso, eu assisti alguns noticiários locais no dia daquele confronto no complexo do alemão, preocupado com o meu filho, que acabou saindo cedo do trabalho, por precaução.

      É uma pena que a TV aberta seja tão vazia de bom conteúdo. A TV 3.0 está prestes a se tornar oficial, vai exigir um set top box, mas seus recursos também carecem de Internet. Se for para oferecer mais da mesma coisa, eu sou um que não pretendo aderir.

      Quem é assinante de TV vai ficar sem sinal não só pelo cabo coaxial, mas por satélite também, ou seja, não tem saída. O ideal, devido ao mundo de aparelhos que precisam de acesso à Internet, seria os provedores oferecerem melhores planos e manutenção com expectativa de menos interrupções.

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