Acesso à Internet: as mudanças nas redes através dos tempos

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O acesso à Internet evolui a cada dia que passa, mas depende das operadoras melhorar o desempenho das conexões e diminuir os custos para o usuáio residencial.

No início da década de 1990 eu estava trabalhando em um projeto de pesquisa complexo, que iria defender como tese de doutorado. Nesta ocasião, a UWCC (University of Wales College of Cardiff) já estava on-line e nós, estudantes, sem exceção, tivemos que aprender a viver usando recursos das redes de computadores. Na biblioteca, por exemplo, uma rede chamada Janet interligava todas as bibliotecas do Reino Unido, e assim era possível achar alguma separata ou trabalho publicado que não fosse possível encontrar em alguma biblioteca local. Se o trabalho fosse achado a bibliotecária mandava trazer uma cópia de onde ele foi encontrado.

As redes de computadores podiam ser acadêmicas, tipo Bitnet, ou empresariais, como a Compuserve, por exemplo. Em curto espaço de tempo todos nós recebemos um endereço do “electronic mail” ou e-mail, sem saber exatamente como seria usado. Entretanto, através de uma palestra, nós aprendemos como e por que motivo um e-mail seria útil para todo mundo.

A ideia básica de se montar uma rede de computadores em meio acadêmico era a de permitir a troca de informações entre universidades ou departamentos. Através de e-mails foi possível fazer um contato pessoal e a troca dessas informações.

O mesmo princípio se aplicou à Internet, através de uma proposta de uma rede mais ampla, não só acadêmica, e abrangendo indistintamente todas as localizações possíveis, através de um link ou endereço, que foi depois chamado de URL, ou Uniform Resource Locator.

As dificuldades do início da vida em rede

Quando eu me inscrevi no NCE (UFRJ) para ter acesso à Internet, circa 1994, ainda com comandos de texto e acesso telefônico remoto, me interessou conhecer um pouco melhor aquela sopa de letrinhas usadas nos jargões das comunicações em rede, coisas como Telnet, FTP, Gopher. TCP/IP, etc. Mas, com o tempo o meu interesse acabou no esquecimento, e isso porque com a criação da World Wide Web (WWW) tudo mudou, não repentinamente, mas de forma célere com o passar do tempo. Alguns dos antigo comandos ainda funcionavam nos navegadores, então o seu aprendizado não foi uma perda de tempo.

As mudanças de velocidade de transferência de dados

O meu primeiro contato com a Internet por acesso remoto, via linha telefônica, só foi possível com a instalação de um modem analógico fabricado pela US Robotics, instalado em um slot de expansão do computador de casa.

O NCE nos dava o telefone da Renpac (Embratel), infelizmente na época já obsoleta e precária. Em uma daquelas feiras de informática que eu ia com o meu irmão, a gente se encontrou com colegas dele que trabalhavam na Embratel, e quando eu comentei sobre a Renpac eles riram! O meu acesso doméstico só melhorou quando, depois de muito esforço, eu consegui licença para ligar para o LNCC, que ainda estava no campus.

Hoje a gente nem consegue mais imaginar como foi possível aquele tipo de acesso, precário, barulhento e lento. Foi naquele momento em que surgiu a expressão “internauta da madrugada”, porque era somente tarde da noite e pela madrugada a dentro que as ligações telefônicas eram mais estáveis. Com comandos de texto ainda se quebrava um galho. Meus filhos se comunicavam com estudantes da Universidade de Minnesota, através de um comando chamado de Gopher. Era um protocolo de comunicação que permitia enviar e receber mensagens em tempo real, provavelmente uma das primeiras “redes sociais”, como a conhecemos hoje.

Com o espalhamento de locais de acesso fora do ambiente acadêmico surgiu a necessidade de se acelerar a velocidade de transmissão de dados. Se tal não tivesse acontecido, eu me arrisco a dizer que talvez a World Wide Web teria sido inviável.

A evolução inevitável

Pelos meus cálculos devem fazer uns trinta anos aproximadamente que as transmissões por banda larga começaram a tomar conta dos protocolos de comunicação com a rede. O termo “banda larga” se refere à quantidade ou largura de banda dos dados transmitidos ou recebidos por segundo, que é usado como parâmetro de medição de velocidade até hoje.

O aumento da velocidade da banda larga se tornou uma necessidade de propiciar o seu uso na chamada Internet Das Coisas (IOT), para compensar o consequente aumento de consumo de dados.

Além disso, para nós usuários hoje é importante aumentar o sincronismo entre o que é recebido (“download”) e o que é enviado (“upload”). Este sincronismo, eu vejo agora, pode ser de dois tipos: assimétrico, quando as velocidades de download e upload são diferentes, ou simétrico, quando as duas velocidades se equiparam.

O sincronismo assimétrico foi o primeiro a ser oferecido, desde a época das conexões com par telefônico trançado, como os protocolos ADSL, VDSL, etc. E continuou com a conexão com cabo coaxial e com a fibra ótica.

Experiência pessoal com as mudanças de velocidade

O meu último contrato de 1 Gigabit por fibra ótica com a TIM se encerrou recentemente, e a operadora propôs uma renovação, com um ligeiro acréscimo de custo, que eu aceitei. Depois que o novo contrato foi feito, eu fiz um teste de velocidade, para confirmar que a velocidade contratada tinha sido mantida.

A medição foi feita com a conexão da saída de 2.5 GB do modem Sagemcom da TIM, modelo F@st 5670, e com a conexão da saída de 1 GB do roteador Asus modelo RT-AX88U Pro. Os cabos Ethernet instalados foram com bitola Cat-7 e Cat-6, respectivamente, conectados às portas Ethernet do computador.

O primeiro resultado obtido, mostrado em cima à esquerda na figura abaixo, mostrou que as velocidades de download e upload agora se equiparam. A medida foi repetida várias vezes, mas os resultados foram os mesmos. A medida mostra que a minha conexão passou a ser simétrica, por decisão exclusiva da operadora, porque eu nunca solicitei nada nesta direção, nem a vi anunciada.

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A impressão que a mudança das velocidades estaria evidenciando um sincronismo de conexão durou pouco. Os resultados até então obtidos foram o reflexo da arquitetura do cabeamento usado até recentemente.

Quando o cabeamento na rede faz a diferença

Desde tempos remotos todas as instalações de banda larga aqui em casa seguiram uma rotina de cabeamento que compreendia instalar um roteador externo ao modem da operadora. Isto me deu flexibilidade no espalhamento do sinal por rede Wi-Fi para o resto da casa, hoje classificado como a Internet das Coisas ou IOT.

A estrutura antiga, mantida inicialmente na mudança do plano da TIM era:

Conexão de Origem Destino
Saída 2.5 GB do modem F@st 5670 Porta WAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro
Saída LAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro Porta 2.5 GB Realtek do computador
Saída LAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro Porta 1 GB Intel do computador

N.B.: WAN = Sinal da operadora; LAN = Sinal da rede local.

A estrutura de cabeamento acima explica as primeiras medições: A saída LAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro não estava repassando o sinal de 2.5 GB vindo do modem para a porta 2.5 GB do computador. Teoricamente, esta saída poderia ser configurável, mas eu não consegui achar o ajuste que permitisse que a saída operasse com sinal 2.5 GB, ao invés de 1 GB.  O obstáculo de saída pode ser devido a um erro de firmware, embora este esteja atualizado.

A solução então para este empecilho foi relativamente simples: conectar a saída 2.5 GB do modem F@st 5670 da TIM diretamente para a porta 2.5 GB do computador. Eis o resultado:


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A estrutura modificada do cabeamento ficou assim:

Conexão de Origem Destino
Saída 2.5 GB do modem F@st 5670 Porta 2.5 GB Realtek do computador
Saída LAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro Porta 1 GB Intel do computador

 

A conclusão óbvia foi de que na renovação da minha assinatura a velocidade de sincronismo mudou para 2 GB, e eu espero que não seja uma daquelas degustações que servem para atrair o cliente para novos planos.

Gozado é que ninguém me avisou nada. Da mesma forma, uma representante da Claro me disse que eu tinha direito a um modem de fibra ótica, sem acréscimo de custo no novo plano, o mesmo que eliminou o sinal de TV por cabo. A Claro me daria 600 MB. Tudo dando certo, eu posso recorrer ao odo Dual Wan, recurso do roteador da Asus, que soma as duas conexões dos provedores, vinda de dois modems diferentes.

Agregando sinais de provedores diferentes

Existem várias maneiras de se agregar duas fontes de sinal de Internet (WAN) no mesmo roteador. Mas, no caso específico do Asus RT-AX88U Pro, a agregação pode ser feita de dois modos, acessíveis na configuração avançada do roteador: WAN Aggregation e Dual WAN. Cada uma dessas duas configurações tem os seus próprios ajustes, cabendo ao usuário decidir qual delas lhe serve melhor.

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Na agregação direta, a WAN alternativa deve ser conectada na porta LAN 4 do roteador, ambas com 1 GB de velocidade, alcançando 2 GB na agregação. Os equipamentos neste modo devem obedecer o protocolo de links (LACP), o quer pode tornar o uso deste modo limitado.

Já no modo Dual WAN as conexões primária (WAN 1) e a secundária (WAN 2) podem ser definidas pelo usuário. As opções incluem o uso de cabo Ethernet, e neste caso, em que porta LAN ele será conectado, além do uso de um telefone celular ou outra fonte de sinal, via USB.

Ao habilitar este modo, abrem-se as opções para a configuração das fontes de sinal, acima citadas. Se a escolha for “Ethernet LAN”, deve-se escolher em que porta LAN o cabo será conectado.

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Além disso, é possível configurar no roteador o que fazer em caso de queda de sinal. A opção Fail over, por exemplo, faz com que a perda de sinal em uma das redes ative automaticamente a segunda rede, que ainda está funcionando. Já a opção Allow Fallback permite que o sinal volte a ser transmitido pela rede que antes havia parado de funcionar, mas que depois voltou a transmitir o sinal.

A principal vantagem, portanto, de se usar 2 sinais de provedores no mesmo roteador ou rede local é ter uma rede backup à disposição, quando um desses provedores para de funcionar. Considerando que nós todos usuários precisamos de sinal o tempo todo, por causa da Internet das Coisas, este recurso é muito útil, quando disponível.

A configuração que eu escolhi para a agregação de dois provedores

Uma vez terminada a instalação do modem da Claro, e depois de feitos testes preliminares de desempenho com o modem isolado na rede, eu fiz uma conexão de uma das saídas deste modem para a porta 4 do roteador da Asus.

Em seguida, entrei na tela do Dual Wan, e defini a WAN primária (principal) sendo aquela que foi conectada na porta LAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro e a WAN secundária a saída de uma porta do modem da Claro para a porta LAN 4 do RT-AX88U Pro.

O cabeamento dos 2 modems terminou assim:

Conexão de Origem Destino
WAN Primária: LAN 1 do modem TIM F@st 5670 Porta LAN 2.5/1 GB do Asus RT-AX88U Pro
WAB Secundária: LAN 1 do modem Claro ZTE ZXHN F6600P Porta LAN 4 do Asus RT-AX88U Pro

No mapa de rede do roteador se pode confirmar a combinação das redes:

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As vantagens deste tipo de arquitetura são óbvias: como ambos os provedores estão na rede Wi-Fi, distribuídas pelo roteador, quando uma das redes cair a outra assume o controle (“Fail over”), o que é importante para a Internet das Coisas.

Eu entendo que o custo operacional não é baixo, mas o usuário pode contratar mais de um provedor, com planos básicos e a partir daí obter uma Internet de melhor qualidade. [Webinsider]

. . .

 

O fim da TV a cabo

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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