TS Shara, fabricante que não conhecia, foi o nobreak escolhido para a manutenção da minha rede local e manter ligados os dispositivos da Internet das coisas.
Há décadas eu uso um nobreak para a minha estação de trabalho doméstica e mais recentemente outro nobreak para a manutenção da rede local. No ano passado, eu aposentei dois APC antigos e os substituí por um Ragtech One Up Nitro e um Ragtech New One Easy Pro, para os usos citados acima, respectivamente. Embora o primeiro tenha se mostrado bastante satisfatório, com o segundo não foi bem assim: primeiro, ele trocou a placa lógica, com menos de um mês de uso e depois apresentou um defeito, piscando o LED da bateria incessantemente e sem motivo aparente, que não foi corrigido, mesmo quando ele foi enviado à fábrica para um possível reparo.
Eu fiz um teste de autonomia com o Easy Pro, que durou cerca de 1 hora e 14 minutos, até a carga da bateria acabar. No entanto, o modelo que eu recebi mostrou inconsistências na ausência de sinalização dos LEDs, que deveria indicar o nível de carga na saída em modo rede e o nível da bateria, quando esta fosse alimentar a carga. Tudo isso acabou me convencendo que eu deveria trocar por outro modelo.
Consultando o técnico da autorizada, que faz manutenção de várias marcas, eu acabei apostando as minhas fichas em uma marca desconhecida: a TS Shara. Como os ancestrais do meu pai eram imigrantes do Líbano, o nome Shara não me era estranho. Ao assistir uma entrevista em vídeo com o CEO Pedro Al Shara, ficou claro que se tratava de um “batrício”, como diziam os familiares do meu pai.
Até então, eu nunca havia ouvido falar da TS Shara, apesar de que, segundo consta, ela estar fabricando nobreaks e produtos afins há muitos anos. Ao ver o catálogo dos seus produtos eu fiquei impressionado com o número de modelos disponíveis.
Depois de muita pesquisa, acabei escolhendo o modelo UPS Senoidal de 1500 VA, da linha XPro, que tem um fator de correção de 0.7, para uma carga efetiva de 1050 Watts. Para a alimentação desejada, esta potência cobre tudo o que instalei nele, como dois modems, um roteador, uma impressora e a base de um telefone fixo, e ainda sobrou espaço para qualquer outra coisa.
A entrada deste modelo é bivolt, e a saída é selecionável para 115 e 220 Volts, através de um switch localizado na parte inferior do aparelho. Além disso, ele ainda tem uma entrada para acoplamento (engate físico) de baterias externas, no total de 24 Volts, que se somariam às duas baterias internas, de 12 Volts e 7 AH cada uma.
Um vídeo promocional da TS Shara faz uma demonstração dos nobreaks desta linha:
Eu não tive ainda paciência para fazer um teste de autonomia, mas como as baterias internas somadas dão 24 Volts, é bem provável ele passar das 1 hora e 14 minutos do Easy Pro.
Porém, coloquei o nobreak em modo bateria por alguns momentos, ligado fora da tomada. Desta forma, foi possível observar o nível de ruído quando o circuito inversor é acionado. Uma imagem da placa lógica de um nobreak similar que eu havia visto online mostra uma ventoinha (“cooler”) instalada em cima dela, presa no topo de um dissipador. Em modo bateria a ventoinha aumenta a rotação, mas o seu ruído é discreto.
Em modo bateria soam os tradicionais bipes, mas neste modelo não incomodam. Bipes repetidos soam apenas quando as baterias estão próximas do fim da autonomia, nada diferente de outros nobreaks.
Monitoramento por aplicativo
Como de hábito, um aplicativo com o nome de TSApp é fornecido para monitorar o funcionamento do nobreak. Assim, com o uso de uma conexão USB, eu instalei e rodei o TSApp, cujas telas eu mostro na ilustração abaixo:
No monitoramento, uma surpresa: a voltagem da rede ficou em 130 Volts e a da saída do nobreak em 128 Volts. No entanto, lançando mão do meu multímetro Hikari HM-2090, que é do tipo True RMS, medindo a voltagem real, os valores medidos foram: 129.5 Volts na rede e 125.0 Volts nas tomadas de saída do nobreak.
Embora a voltagem da rede possa variar de um momento para o outro, o aplicativo acusa um valor bem acima dos que eu medi, tanto na rede (130 Volts) quanto na saída do nobreak (128 Volts), como mostrado na figura acima, sugerindo um erro de programação.
Na página de configuração é possível fazer testes, cobrindo um autoteste de 10 segundos, o teste da autonomia da bateria e um programável. Eu fiz o primeiro deles, que mandou os resultados para o meu e-mail. Inicialmente, ele detectou “falha na rede”, seja lá o que isto significa, mas logo a seguir, outro e-mail disse que o teste estava “em andamento”, e um terceiro afirmando estar tudo em ordem.
O nobreak só tem um botão de partida e desligamento, e dois LEDs, um da bateria e o outro da rede, todos eles instalados na tampa superior do aparelho. O botão de partida é temporizado, quer dizer, o usuário precisa mantê-lo apertado até que o LED de rede comece a piscar. Logo depois o LED fica estável. Idem, para desligar o seu funcionamento.
A primeira carga, segundo orientação do fabricante, é de 12 horas, contrastando com as habituais 24 horas de outras marcas. Mas, eu ignorei isso e deixei o aparelho desligado ligado na tomada sem carga a noite toda.
Como este nobreak foi previsto para o funcionamento 24 horas da rede local, e com uma carga efetiva de dispositivos ligados a ele muito baixa, o que sobra de expectativa é contar com ele toda vez que a energia da rua oscila ou desaparece, coisa que é constante nesta época do ano. A proteção dos dispositivos conectados é fundamental para poupar qualquer usuário de potenciais dores de cabeça. A maioria dos nobreaks faz isso com eficiência, assim é ligar tudo e parar com as preocupações a este respeito!
A TS Shara é uma empresa genuinamente nacional, fundada por engenheiros. A primeira impressão do nobreak que foi instalado me deu uma confiança no seu funcionamento ocorrendo sem transtornos, que eu espero que dure muito tempo, assim como os meus antigos APC, que raramente me deixaram na mão. O que vai determinar se isso irá acontecer é, como sempre, o controle de qualidade da fábrica, por enquanto é aguardar e ficar observando se tudo vai dar certo. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.











