O Triumvirat foi um grupo de rock progressivo de grande proeminência na década de 1970. O disco Spartacus talvez tenha sido o seu maior sucesso entre os fãs e mereceu várias reedições, com novas remasterizações.
Tendo amadurecido musicalmente durante a minha adolescência inicialmente ouvindo Jazz, na maior parte do tempo, depois da faculdade eu comecei a ouvir outros gêneros de música, por influência de conhecidos e colegas de turma ligados à música. Eu poderia dizer então que o meu interesse pelo chamado rock progressivo foi sazonal.
O rock foi, como música, um desses gêneros que mudou drasticamente, ao longo do tempo, deixando de ser o ritmo que encantou os jovens da década de 1950, até chegar a graus de sofisticação eletrônica, com o uso de sintetizadores e instrumentos similares, quando então ele passou a ser classificado como “progressivo”.
A maior parte da produção musical deste movimento aconteceu em território inglês, mas com repercussão ampla no continente europeu e nas Américas. Foram vários os grupos que, neste particular, alcançaram sucesso e popularidade entre o público mais jovem. As respectivas gravações incorporaram música experimental, com citações à música erudita ou folclórica tradicional, e com o suporte do aperfeiçoamento dos estúdios daquele época, fato este que pode ser visto nas várias remasterizações em áudio 5.1 multicanal, algumas com sensível remixagens.
O Triumvirat, oriundo da Alemanha
A década de 1970 foi pródiga de gravações de rock progressivo. Em 1975, um grupo alemão, da cidade de Colônia, gravou um disco, que ficou icônico do seu melhor momento musical: Spartacus. Anos atrás, eu comentei algo sobre este disco aqui mesmo no Webinsider, falando do uso do Hammond B3 por grupos de rock.
Na década de 1980, eu achei nas Lojas Americanas a edição em CD, da EMI brasileira do Spartacus, que veio substituir o antigo elepê lançado pela Odeon, no selo Electrola. A prateleira da loja estava repleta de discos, o que para mim foi uma surpresa, já que o CD não era tão popular assim. E o mais interessante: custando um preço muito baixo.
Este lançamento, provavelmente trazido da Alemanha, soava espetacular, muito superior ao elepê. Tanto assim, que até recentemente, eu nunca tive interesse de procurar uma reedição em CD ou outro formato.
Entretanto, a gravação original foi remasterizada em vários estúdios: uma delas, lançada como The Deluxe Edition, foi feita no estúdio americano Big Sly Audio. Uma outra foi lançada no Japão, feita pela EMI local.
Eu perdi todos esses relançamentos. Entretanto, achei uma edição remasterizada, feita nos estúdios Railroad Tracks, perto de Colônia, na Alemanha.
Eu dei sorte de achar uma cópia usada à venda na Amazon. O vendedor me mandou o disco com embalagem cuidadosa, e ele chegou perfeito para o uso, com os meus agradecimentos!
Esta remasterização tinha sido muito elogiada online, por fãs do grupo, mas eu preferi ouvir primeiro, antes de chegar às mesmas conclusões. O CD original, da década de 1980, sempre soou muito bem. Este novo é melhor na reprodução dos vocais e em alguns detalhes da orquestração, nada de muito dramático, mas ainda assim com uma excelente qualidade de reprodução.
O grupo foi composto por Helmut Köllen (baixo, guitarra e vocais), Hans Bathelt (bateria e percussão) e Jürgen Fritz (sintetizador Moog, órgão Hammond, piano de cauda, etc.). Fritz também foi produtor e escreveu várias das músicas. A gravação foi feita no EMI Electrola Studios, em Colônia, lançada pelo selo Harvest.
Observações finais
Embora historicamente o Triumvirat tenha sido comparado e rotulado como o “Emerson Lake and Palmer alemão”, a meu ver, mesmo não sendo expert no assunto, eu percebo e ouço que as semelhanças são mínimas, se é que de fato existem.
Nesta gravação pelo menos o som do Triumvirat é singular e bem distinto. O disco em questão, Spartacus, é muito agradável de ouvir, do início ao fim, com uma dinâmica superior a de outros grupos do período. Bem verdade que os vocais têm um inglês macarrônico, mas isto não desmerece o grupo em nenhum momento.
Um destaque notório em Spartacus é o do baixista Helmut Köllen, dando uma base nos arranjos que os antigos fãs do rock progressivo costumavam chamar de “graves tubulares”, com referência aos grupos de rock alemães.
Eu acho que nunca vou saber porque Spartacus foi o tema escolhido para esta gravação, mas no final o que importa é o resultado final, que é diferente de todas as experimentações feitas neste período. Valeu muito a pena ter adicionado na minha discoteca a nova remasterização, que reflete o aperfeiçoamento dos métodos mais modernos de transcrição de matrizes analógicas, para um formato que promete soar bem e que neste caso não vai precisar de outras versões que a tecnologia possa trazer. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.










