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No início dos serviços, a promessa era transmitir streaming sem anúncios. A TV a cabo também começou assim.

 

A história se repete: quando a Net começou a funcionar, era uma promessa e tanto. No Rio de Janeiro, uma cidade super acidentada, cheia de morros e obstáculos, a promessa de uma imagem limpa e sem fantasmas era sedutora. Além disso, a empresa prometia som original de filmes e seriados, e ausência de anúncios.

Durou pouco. E quando mudou, todos os canais assinados, sem exceção, passaram a entupir o assinante com anúncios. O som original de filmes e seriados foi mantido, mas obrigando o usuário a configurar o receptor para a reprodução deste modo. Nem todos os canais aceitam esta configuração, até hoje, inclusive no serviço Claro TV Box, que herdou a grade de programação.

Da mesma forma, quando eu comecei a assinar o serviço da Netflix não havia anúncios, o streaming tinha Dolby Vision e Dolby Atmos. O Atmos foi mantido, mas o Vision acabou sendo substituído por HDR10. Faz diferença? Se não faz, por que continuar pagando o mesmo preço?

Comparando preços de assinatura, o da Netflix  continua sendo disparado um dos mais caros. E, se você leitor, como eu, assinou o streaming da Claro TV Box acabou com uma assinatura Netflix padrão com anúncios, a mais barata delas, que o usuário não pode cancelar. Se alguém quiser mudar o plano, será obrigado a pagar o restante por fora!

Vale a pena? Antes disso, a Netflix exibia novidades, e de tempos para cá um monte de filmes velhos, filmes que eu pelo menos, não os via há dezenas de anos.

Reparem que aqui se repete o que a Net, depois Claro, vem fazendo nos canais Telecine e HBO: repetir o mesmo filme exaustivamente! A mesma coisa nos canais de seriados, vários deles transmitindo a mesma série, antiga, repetitivamente!

O custo das assinaturas

A assinatura da Netflix continua uma das mais caras, preço reajustado quando menos se espera, seguida agora de perto por Disney+, se o usuário quiser uma assinatura de melhor qualidade técnica.

Alguns dos demais serviços ficam na base de 29,90 reais, mensalmente. Eles são: Amazon Prime Video sem anúncios e Apple TV+, este último com alta qualidade de som e imagem, também sem anúncios. O serviço da Apple inclui Dolby Vision 4K e Dolby Atmos, com produções de seriados independentes. A Amazon comprou a MGM, e assim algumas de suas produções levam o selo da antiga produtora.

Netflix e Disney+ com melhor qualidade têm custo similar, 59,90 e 66,90 (46,82 no plano anual), respectivamente, mas as assinaturas são diferentes. A da Disney tem qualidade máxima ou aceitável, e permite que os planos mais caros possam ser compartilhados por usuários que não moram na mesma residência. A Netflix permitia isso também, mas agiu rápido contra, ameaçando cancelar a assinatura, mesmo de familiares, que morassem em locais diferentes. A comparação é monitorada pelo endereço IP da rede usada. Se o usuário tiver mais de uma rede local em casa, terá que provar à operadora que são pessoas de família morando no mesmo domicílio.

Como a Disney comprou diversas produtoras, o serviço dela inclui Pixar, Marvel, Lucas Film, National Geographic e ESPN, sem custo adicional, coisa que as outras não fazem.

Vale a pena ter tantas assinaturas?

Creio que depende do grau de interesse de cada um. Muita gente que eu conheço cancelou Net e Claro, ou então, nesta última, os canais Telecine e HBO. A razão é sempre a mesma: diminuir um orçamento sobrecarregado.

Além disso, quem sobrevive de emprego e salário raramente tem tempo de assistir tantos serviços e canais de TV. As emissoras abertas, então, nem se fala.

O resto da população eu imagino que só assista TV aberta se não tiver meios de pagar uma das assinaturas. Aliás, prometer TV aberta 3.0 para algum momento do futuro chega a ser uma fantasia técnica, que promete não dar em nada útil. É só esperar para ver, literalmente!

Como cada caso é um caso, quem é ocupado se vira com o que tem. Colecionadores de filmes podem dar preferência a assistir o que tem em casa, ou comprar novos títulos.

Os recursos técnicos para a reprodução do sinal de fonte dependem muito do tipo de equipamento usado: a grossa maioria das TVs do tipo Smart não tem som de boa qualidade para se assistir filmes. Para se conseguir o que é transmitido, mesmo com a compressão de som e imagem, é preciso recorrer a um home theater de pelos menos 5.1 canais.

Barras de som quebram um galho, o áudio é bem melhor, mas também mostram limitações evidentes. Filmes ou séries com Dolby Atmos não são reproduzidos em sua plenitude com TVs ou barras, basta comparar um receiver dedicado e um layout de caixas correto com esses equipamentos.

Na minha avaliação, imagem e som com o uso de um home theater 4K, com Atmos/DTS:X bem montado, é muito superior a qualquer serviço de streaming. A mídia de analistas financeiros diz que a coleção de discos é decadente, mas o que se vê é o aumento cada vez maior de lançamentos Blu-Ray 4K lá fora (o daqui ficou para trás). Se a venda de discos de vídeo é de fato decadente, alguém precisa explicar porque os lançamentos continuam. [Webinsider]

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O fim da TV a cabo

TV aberta, TV fechada, streaming, YouTube

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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