Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on pocket
TV por assinatura

Analistas fazem prognósticos sombrios sobre o futuro da TV por assinatura, mas eu ainda acho que o futuro da TV aberta também é incerto.

No ano passado, eu fui informado por representantes da Claro, empresa que havia substituído a antiga Net, que a transmissão de sinal de TV por cabo coaxial tinha chegado ao fim e me aconselharam a trocar o meu antigo aparelho Net 4K por um “moderno” Claro TV Box. A troca implicou em um prejuízo financeiro na mensalidade irreversível, ao invés de diminuir os custos de assinatura, e criou uma total dependência de sinais da Internet para assistir TV. Se arrependimento matasse…

Eu hoje sei que a dispensa do uso do cabo coaxial não é somente por razões meramente econômicas, mas sim porque a transmissão de sinal por Internet é o que movimenta o mercado de TV já a algum tempo. Quer dizer: o uso de cabo coaxial e/ou a sua manutenção perdeu completamente o sentido!

Analistas de mercado preveem que a TV por assinatura vai também chegar ao fim, baseados na queda brutal de assinantes, e eu compartilho um desses vídeos:

Ok, eles podem estar certos, mas nem eles mesmos sabem quando isso acontecerá. Em contato com amigos e com a minha família, eu noto sim que a maioria perdeu o interesse em assistir programas de televisão, e eu acho que isso não é somente por causa da existência dos serviços de streaming, senão vejamos:

A TV aberta evoluiu? Durante décadas, a programação da TV aberta nunca se modernizou, apesar da imagem passar a ser transmitida digitalmente e eliminar muitas zonas de sombra. As novelas davam audiência, centros de produção foram construídos, à moda de Hollywood, mas os seus produtores se esqueceram de que isso um dia não iria suscitar mais interesse que justificasse o gasto de dinheiro, tal como na América os grandes estúdios acabaram fechando as portas e mudando de gerenciamento, com uma exceção ou outra.

A TV 3.0 vai mudar alguma coisa? Duvido, porque as emissoras de TV propriamente ditas não evoluíram, portanto a incorporação de informação pela Internet não vai alterar nada. O que ele vai fazer é substituir o Ginga, que ainda faz parte do sinal de TV atual. Eu acho, sinceramente, uma ironia o software do Ginga ter dado tanto trabalho na academia, e depois não ter conseguido mostrar o seu valor.

O que mudou neste cenário todo é de fato a Internet: qualquer pessoa que tenha um celular disponível tem acesso à informação de forma rápida. A criança de hoje, por exemplo, tem sempre um celular na mão, onde informações proliferam, daí o total desinteresse em assistir programas de televisão destinados a este tipo de audiência.

Pacotes de inutilidades

A TV por assinatura tem um problema crônico que nenhum de seus provedores se interessou em resolver, que foi a proliferação de canais inúteis, que inundam os pacotes de assinatura, sem que o usuário possa fazer nada para evitar!

A solução óbvia para isso seria o assinante poder escolher o que quer ver e montar o seu próprio pacote. E porque isso nunca foi feito? Eu nunca achei uma explicação clara sobre isso, mas provavelmente porque os provedores fazem contratos com esses canais e não podem oferecer meios para o assinante se livrar deles! Muito parecido, diga-se de passagem, com os chamados “block booking” do antigo studio system de Hollywood, onde exibidores eram obrigados a alugar filmes sem interesse por eles.

É a tal estória: os provedores de TV por assinatura forçam um pacote compulsório, por razões econômicas, então não se admira que o número de assinantes vá caindo ao longo dos anos, também por questões econômicas, porque os pacotes têm custo elevado.

Por outro lado, a fidelização já poderia ter sido extinta, mas ela continua a ser praticada pelas operadoras. Não fosse isso, eu acredito que muito mais assinantes teriam pulado fora antes da fidelização se encerrar.

Historicamente, a disponibilidade de canais que a TV aberta não podia dar chegou a ser um símbolo de status dos assinantes e um dos principais motivos para a adesão à assinatura. Filmes com som original e legendas, ou canais de outros países estavam inclusos nesta adesão. Mas, com o tempo, esta motivação acabou, talvez devido à disponibilidade de informação pela Internet. Outro motivo foi a ausência de propaganda, inicialmente um atrativo das assinaturas, que sumiu em curto espaço de tempo, iludindo todo mundo.

Os provedores passaram a incluir serviços de streaming nos seus pacotes, mas e quem já assinava esses serviços antes, vão fazer economia real de custos? Nem sempre.

O futuro da TV por assinatura e principalmente o da TV do ar é, a meu ver, incerto e pode mudar ao longo do tempo. Eu já vi muita coisa boa que fazia parte dos hábitos das pessoas desaparecer, como os cinemas de rua. Por isso, é possível que os hábitos de assistir canais de TV possa desaparecer também. [Webinsider]

. . .

O fim da TV a cabo

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on pocket

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *