Velocidade é menos importante que constância. Não se preocupe com velocidade. Preocupe-se com a constância.
Todo mundo que treina sério, um dia, teve ou tem personal trainer.
Não porque não sabe fazer os exercícios. Sabe. Mas sozinho não acorda, não aparece, não mantém. O personal não levanta o peso por ninguém. Mas ele garante que a pessoa apareça. E é isso que faz a diferença entre quem evolui e quem fica parado no mesmo lugar por anos.
Eu penso muito nisso quando escuto a frase que mais escuto no meu trabalho: “não tenho tempo”.
É impressionante quanta gente boa me diz uma variação da mesma frase: “a gente é lento na execução, é uma característica nossa”. Fala como se fosse um traço de personalidade. Como se velocidade fosse o problema.
Não é.
O “não tenho tempo” é quase sempre um “não tenho agenda”
Ninguém que me diz isso está mentindo. As pessoas estão de fato sem tempo. A vida atropela, o operacional consome, o urgente sempre vence o importante. O projeto que poderia mudar o jogo entra na brecha da agenda, quando entra. Ou entra na emergência, quando tem uma entrega marcada.
Só que projeto que só existe na brecha e na emergência não avança. Ele sobrevive. Talvez.
O que eu vejo é que a maioria não precisa de mais tempo. Precisa de menos dispersão. Precisa de um espaço fixo, recorrente, protegido, onde aquilo acontece de verdade. Meia hora por dia. Uma hora. Três horas na semana. O tamanho importa menos do que a recorrência.
É o mesmo princípio do treino. Quinze minutos de exercício por dia está lindo. O que não funciona é a maratona esporádica seguida de três semanas parado.
Direção primeiro. Sempre.
Antes de falar de constância, tem uma coisa que vem antes: pra onde você está indo e por quê.
Vejo muita gente passar anos discutindo conceito. O que é o produto, quais são as ideias, o que ele significa. Horas de conversa que não viram nada. E quase sempre a virada não é mágica. É redefinir o pra onde e o porquê. Quando isso fica claro, quase tudo depois vira intuitivo.
Porque ninguém aqui está começando a trabalhar agora. Todo mundo sabe que precisa priorizar, que precisa de um plano, que precisa testar. Isso é quase óbvio. O que trava não é a falta de conhecimento. É a falta de norte. Quando você não sabe pra onde vai, cada decisão vira uma discussão do zero. Quando você sabe, as coisas se organizam quase sozinhas.
E direção é o que transforma esforço em avanço. Sem ela, você pode ser o mais constante do mundo e estar andando em círculos.
Constância é abrir espaço, não juntar coragem
Aqui está o ponto que eu mais quero que fique.
Constância não é força de vontade. Não é motivação. Não é acordar um dia inspirado. Constância é uma decisão de calendário. É abrir uma agenda recorrente e defender aquele espaço como se fosse reunião com o cliente mais importante que você tem.
Abre a semana. Define o que vai ser feito. Cada um faz a sua parte. Fecha a semana pra ver o que andou. Repete. Parece simples demais pra funcionar, e é exatamente por isso que funciona.
O compromisso de se encontrar, e o desconforto de chegar no encontro sem ter feito nada, já é motivador por si só. É a mesma lógica do personal. Você marca uma vez por semana e, teoricamente, treina quatro. Quando chega lá e ele pergunta se você fez as séries, você quer poder dizer que sim. Essa cobrança suave contra você mesmo faz mais pela sua evolução do que qualquer surto de disciplina.
No começo pesa. Parece burocracia, parece demais. Mas uma hora pega ritmo. E quando pega ritmo, você pode ir afrouxando, porque a coisa já anda sozinha. O puxão inicial é o que dá tração.
Progresso é consequência, não meta
Ninguém precisa perseguir o progresso diretamente. Ele aparece sozinho quando os dois primeiros estão no lugar.
Direção certa mais constância dá progresso. Toda vez. Não do jeito heroico que a gente imagina, com viradas espetaculares e sprints de madrugada. Do jeito chato mesmo. Pequenos passos, pequenos testes, pequenas provas. Uma hipótese, um teste, um ajuste. De novo. E de novo.
O trabalho, hoje, é isso: uma sequência ininterrupta de hipótese, teste, validação e ajuste. Não acontece planejando. Acontece iterando. E iterar exige uma coisa só de verdade: aparecer, toda vez, no espaço que você reservou pra isso.
Teve uma vez em que, no fim de uma jornada, a pessoa me disse que não sabia quão rápido ia conseguir andar, mas que pelo menos agora estava no trilho. Eu respondi o que penso de verdade.
Velocidade é menos importante que constância. Não se preocupe com velocidade. Preocupe-se com constância. [Webinsider]
Boa parte do meu trabalho hoje é exatamente esse acompanhamento. Chamo de Copiloto.
Não é consultoria que te entrega um relatório e vai embora. Não é conselho que cobra resultado de longe. É estar junto na construção e no treino. São quase trinta anos montando negócio digital que eu coloco na mesa pra ajudar a definir a direção, desenhar a oferta, decidir o que vem primeiro, formatar as hipóteses e os testes. E, principalmente, garantir que o espaço na agenda seja aberto e respeitado, que a semana feche com o que foi combinado, que a constância aconteça mesmo quando a vida tenta atropelar.
Eu não levanto o peso por ninguém. Mas eu ajudo a montar o treino certo e garanto que você apareça. E, pela minha experiência, é a soma das duas coisas, a construção e a constância, que separa quem avança de quem fica anos batendo cabeça no mesmo lugar.
Se você tem uma direção e sente que só falta o ritmo, o café tá servido: lent.cafe/copiloto
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Michel Lent Schwartzman
Michel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é um empreendedor serial e especialista em marcas e negócios digitais, com sólida experiência em acompanhar carreiras e aconselhar empresas. Pioneiro na indústria digital, é formado em Desenho Industrial pela PUC-Rio e mestre pela New York University. Ao longo de quase 30 anos, fundou e dirigiu agências e atuou como CMO em grandes fintechs, além de prestar consultoria para diversas empresas globais








