O controle financeiro pessoal, reconhecidamente, não é uma das maiores habilidades do brasileiro. E esta constatação pode ser facilmente comprovada através de alguns dados preocupantes sobre a economia brasileira.

Em 2016, cerca de 61 milhões de brasileiros, que correspondem a 52% de toda a População Economicamente Ativa do país, fecharam o ano endividados. (Fonte: Serasa Expediam)

O desemprego, o aumento dos juros, a inflação dos preços dos produtos e serviços, e o crescimento da restrição de acesso ao crédito, por parte dos bancos, são motivos que ajudam a compreender estes dados.

Porém, por trás destes números, está um novo desafio para a economia do Brasil. Cada vez mais jovens estão contraindo dívidas e não estão conseguindo arcar com o pagamento delas.

Ainda segundo os dados do Serasa Experian, o número de jovens, entre 18 e 25 anos, que está com “o nome sujo”, alcançou a casa dos 9 milhões.

E isto somente vem a confirmar o fato de que a situação dos jovens brasileiros. Para quem tem entre 16 e 25 anos, entrar no mercado de trabalho já é um grande desafio. Nesta faixa etária, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a taxa de desemprego alcança a casa dos 31%. (Fonte: Estadão)

O panorama fica ainda pior, quando consideramos que jovens já estão começando a vida adulta em dificuldades financeiras. Mesmo antes de criarem compromissos financeiros a longo prazo, como financiamento de imóveis.

Mas, porque isso acontece? Neste artigo, vamos abordar os motivos deste cenário e como os jovens podem evitar o descontrole financeiro pessoal.

Porque os jovens cada vez mais se perdem financeiramente?

Segundo os dados do Serasa Experian, a maior parte dos jovens entra em dívida por conta de gastos com cartões de crédito. O que também é uma das principais fontes de endividamento dos brasileiros, de qualquer faixa etária.

O acesso aos cartões de crédito é cada vez mais difundido. E entre os jovens não é diferente. Ao conseguirem o primeiro emprego e abrirem a conta bancária, os jovens já são abordados com a oportunidade de conseguirem o primeiro cartão de crédito.

E este é um problema, pois, sem a experiência necessária para lidar com o crédito e com o desejo de consumo em alta, o uso do cartão de crédito já começa desde o início da vida profissional.

Seja para comprar o primeiro celular com o próprio dinheiro, o primeiro conjunto de roupas, ou fazer uma viagem, o uso do cartão de crédito entre os jovens é imediato.

Ocorre que, com a falta de experiência em lidar com crédito, muitos jovens brasileiros encaram o cartão de crédito como “extensão do salário”. E daí, a bola de neve de dívidas nasce e sair dela não é um dos desafios mais fáceis.

Mas, sem dúvida, o maior problema está na base…

Os problemas começam na educação básica

Lidar com o controle financeiro pessoal deveria ser um dos aprendizados básicos do processo educacional. Esta filosofia é defendida por organizações internacionais, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Após a crise econômica mundial de 2008, o tema ganhou ainda mais atenção. Levando em conta que um dos motivos da crise foi o crédito fácil e a disseminação de um investimento “podre” pelo mundo.

Estes fatores deram luz ao fato de que muitas pessoas simplesmente não sabem lidar com dinheiro. Algo que não afeta somente o Brasil. E que os problemas de educação financeira afetam diretamente a saúde de economia das nações.

Iniciativas que visam mudar esta realidade

No Brasil, várias iniciativas visam agregar o tema da educação financeira no currículo da educação básica das escolas brasileiras. O MEC (Ministério da Educação), desde 2016, vem estudando formas de adicionar a educação financeiros na Base Nacional Curricular Comum.

Outra iniciativa importante desta temática é a AEF-Brasil (Associação de Educação Financeira do Brasil). Iniciativa desenvolvida e apoiada por diversas instituições financeiras brasileiras. Como a BM&FBOVESPA (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros do Estado de São Paulo) e a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos).

A associação visa patrocinar a disseminação das matérias e conhecimento sobre educação financeira, nas escolas brasileiras. A atuação é na distribuição de materiais relacionados ao tema. Bem como a qualificação de professores e educadores, e na criação de programas de ensino voltados ao tema.

No entanto, para os jovens de hoje, estas ações, no passado, ocorreram em poucas escolas. Outro problema é o fato de que, em muitas famílias, a falta de conhecimento e habilidade financeira é uma realidade que atravessa gerações.

Fatores agregados que mostram como o desafio de educação e controle financeiro pessoal ainda será um grande desafio para os próximos anos.

Os jovens de hoje ganham menos que seus pais

Outro ponto que contribui para a falta de controle financeiro pessoal crescente entre os jovens. Os jovens de hoje ganham menos que seus pais e avós.

Segundo pesquisa do ano de 2016, realizada pelo Federal Reserve, o Banco Central Americano, revelou que os millennials, geração nascida a partir dos anos 1980, ganham, em média, 90% a menos do que os baby boomers – pessoas que nasceram entre as décadas de 50 e 70.

Por outro lado, a atual geração trabalha mais horas do que a geração passada. Além disso, o acúmulo de patrimônio atualmente, não faz parte da realidade de muitos jovens.

Os salários atuais dos jovens tem valor real cada vez menor. Isso por conta do aumento dos preços dos imóveis, dos bens de consumo duráveis, como automóveis, e do custo de vida nas cidades. E isto aumenta o consumo de bens a curto prazo.

O pensamento sobre o futuro, aposentadoria e economia para o momento de formar uma família. Estes são planejamentos sequer passam pela cabeça de muitos jovens brasileiros. E os perigosos efeitos disto somente serão sentidos no futuro.

Ferramentas e dicas para manter o controle financeiro pessoal

Existem ferramentas muito simples para que alguém consiga manter suas finanças pessoais em controle. A mais simples e direta é a criação de uma planilha em Excel, ou similares, para controle financeiro.

Ficam aqui, algumas dicas de planilhas prontas para controle pessoal. Comece hoje mesmo a tomar as rédeas de sua vida financeira.

Procure também se alimentar de conhecimento sobre controle financeiro. Um dos blogs mais acessados do Brasil sobre o tema, é o do Guia Bolso. Lá, existem dicas diárias que vão desde investimentos, a administração de salários e patrimônio.

No Youtube, existem diversos canais dedicados a dar dicas de finanças e investimentos. A revista Exame destacou 10 bons canais sobre o tema. Fica o destaque para o canal Me Poupe, de Nathália Arcuri. O canal mais popular sobre o tema no Brasil.

Não deixe de curtir também os artigos sobre dinheiro e finanças do blog do 12minutos. Lá, estão dicas sobre livros que ensinam e ajudam a você melhorar a sua vida financeira e aprender mais sobre investimentos.

Mas lembre-se, as planilhas e blogs são apenas ferramentas. Elas não irão fazer nenhum milagre. Para manter o controle financeiro pessoal, o maior trabalho é seu!

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