Duas cabeças pensam melhor que uma. Agora, imagine milhares ou milhões de pessoas pensando juntas… Essa é a lógica do crowdsourcing. Ou seja, várias cabeças contribuindo para somar conhecimentos, ideias e energias para uma determinada tarefa.

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No mundo dos negócios, o crowdsourcing é algo muito usado e importante. Geralmente, as empresas apelam para a inteligência coletiva para fazer algo que normalmente seria responsabilidade de um time interno. Ou para um trabalho que seria executado por uma firma especializada.

Essa é uma prática comum, também, entre pequenas entidades sem fins lucrativos ou organizações comunitárias com orçamentos limitados. Nesses casos, elas usam a estratégia do crowdsourcing como meio de espalhar uma mensagem ou promover um evento.

Quais os principais ganhos com o crowdsourcing

As empresas ganham principalmente com a expansão do número de talentos que pensam juntos na solução de um problema, lançamento de uma ideia ou produto, identificação de gaps etc.

Outro ganho valiosíssimo é a oportunidade de ir mais fundo nos desejos e necessidades dos clientes e clientes potenciais. Com a estratégia do crowdsourcing a empresas pode, ainda, contar cada vez mais com a criatividade de uma quantidade enorme de pessoas. Com um detalhe: a um custo relativamente baixo.

Enfim, com o crowdsourcing, a empresa tem muito a ganhar. Ou seja, lucra em produtividade, criatividade, agilidade na obtenção de informações e redução de custos com pessoal e coleta de dados.

Os pontos fracos do crowdsourcing

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Nem tudo é um mar de rosas. Existe o outro lado da moeda, por exemplo, a falta de controle. Isso porque, quando se trabalha com multidões, não se tem as pessoas em suas mãos.

Deve-se considerar que todas essas pessoas não são funcionários e, portanto, não devem obediência à empresa. Isso, inclusive, torna o acompanhamento de todas as etapas do processo difícil. Uma falha de comunicação no meio do caminho, por exemplo, pode colocar tudo a perder.

Vale lembrar que, quando colaboram, as pessoas não esperam apenas retorno financeiro mas, sim, recompensas como reconhecimento, liberdade, atenção, transparência… E elas querem ser ouvidas. Muitas empresas não estão preparadas para isso.

Como as empresas estão usando crowdsourcing

As empresas não têm limite para adotar o crowdsourcing. Veja 11 situações comuns:

  1. coletar dados sobre mercado e produtos/serviços;
  2. realizar testes, afinal, as pessoas amam apontar falhas em produtos/serviços;
  3. saber a opinião do cliente ou cliente potencial sobre um produto/serviço e buscar formas mais criativas e inovadoras para suas ofertas;
  4. buscar ideias para logotipos, slogans, layout de loja física ou virtual – geralmente é feito por meio de competição;
  5. fazer programações e, nesse caso, as competições também funcionam bem. Elas permitem que as pessoas criem várias maneiras de codificar e enquadrar sites, aplicativos etc;
  6. encontrar solução para um problema complexo ou gaps;
  7. agilizar o atendimento ao cliente, por exemplo, permitindo que usuários ou fãs respondam dúvidas no Twitter e no Quora;
  8. envolver o cliente e transformá-lo em defensor da marca;
  9. oferecer trabalhos manuais, dividindo uma tarefa grande e complexa em pequenas partes e deixando que as pessoas façam esse trabalho;
  10. recrutar talentos;
  11. Crowdfunding – a empresa pode com isso medir o interesse do consumidor pelo produto/serviço e realizar pré-encomendas, antes do seu desenvolvimento.

Além das empresas

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Crowdsourcing não é exclusividade das empresas. Pelo contrário, entidades sem fins lucrativos ou organizações comunitárias com orçamentos reduzidos também usam essa estratégia. Nesses casos, o objetivo é divulgar mensagens e convocar eventos.

Um exemplo do uso do crowdsourcing foi o movimento que começou com um onda de protestos incentivados pela mídia social, em 2013. Essa ação caminhou para a criação do “Vem pra Rua”. As pessoas compartilharam informações em tempo real sobre política, novos eventos etc e mobilizaram multidões de pessoas para as manifestações.

Como funciona o crowdsourcing

Preste atenção: se você dependesse de uma resposta certa para ganhar uma fortuna e pudesse recorrer à uma ajuda externa, quem você escolheria – um especialista ou a multidão?

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O autor do livro “A Sabedoria das Multidões”, James Surowiecki, defende que as decisões coletivas são quase sempre melhores (91% de precisão), contra 61% de acerto por parte dos especialistas.

Essa estratégia de lançar uma proposta ou um desafio ao público e esperar que as ideias criativas fluam nas mentes das pessoas vem de longo tempo. No entanto, tem expandindo com a internet.

Nas campanhas publicitárias ou nas coletas de opinião e/ou dados, as ações de crowdsourcing, geralmente aparecem no formato de concursos.

Existem ainda empresas e sites focados exatamente em colaborar com as organizações na solução de problemas, por meio da inteligência coletiva. Entre eles, estão a Field Agent, ideias.me  e o InnoCentive. Este último já ofereceu até 1 milhão de dólares para quem resolvesse um determinado problema de uma das empresas parceiras.

Para incorporar o crowdsourcing com sucesso em sua empresa, a primeira coisa a se fazer é ter um perfil claro da sua organização e identificar se ela se enquadra de fato num projeto colaborativo.

O passo seguinte é identificar as áreas ou gaps que poderiam se beneficiar da inteligência coletiva (logomarca, softwares etc). Por fim, divulgue seus anúncios em plataformas de crowdsourcing especializadas na solução de seu problema específico (vendas, marketing, jurídico, redação etc).

Dicas de plataformas de crowdsourcing

  • Crowdtest: os cadastrados testam aplicativos, antes do lançamento.
  • Kaxola: as pessoas divulgam ideias, que podem se transformar em um ótimo negócio aos olhos de um empreendedor.
  • OpenIDEO: voltada para a solução de problemas empresariais.
  • Profissionais do Livro: comunidade de prestadores de serviço em revisão, tradução, diagramação e ilustração.
  • uTest: testes de softwares.

12 empresas que usam crowdsourcing com sucesso

Netflix – Anunciou um prêmio de 1 milhão de dólares para quem aprimorasse um algoritmo de recomendação de vídeos com uma performance pelos menos 10% melhor que o atual.

IBM – realiza eventos para mais de 100 mil pessoas, com o objetivo de estimular a inovação coletiva e buscar soluções para problemas da empresa e/ou produtos.

Google – realiza várias ações, uma delas foi o concurso de vídeo para apresentação do Google Chrome ao mercado brasileiro, em 2009.

DuPont – oferece prêmios em dinheiro nas redes online de pesquisadores e técnicos, para solução de problemas de difíceis soluções.

iStockphoto.com –  fotógrafos amadores, profissionais, ilustradores e videomakers postam seus trabalhos e recebem royalties quando suas imagens são compradas.

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Harley Davidson – com o projeto “No Cages” (Sem Jaulas), em 2011, a empresa apelou para a criatividade coletiva na elaboração de um comercial incentivando as pessoas a personalizarem suas motos. A ideia era criar o modelo Harley Davidson 1200.

Coca-Cola – empresa usa com frequência a técnica do crowdsourcing por meio de concursos em geral – vídeos, slogns, embalagem etc, onde os ganhadores recebem prêmios.  

Fiat – no Brasil, para o lançamento do Mio, a empresa pediu que os usuários de rede social opinasse e projetasse um novo carro conceito.

McDonald’s – também apela para a inteligência coletiva com frequência, no mundo inteiro. Alemanha, por exemplo, por meio do crowdsourcing, os clientes puderam criar seus próprios hambúrgueres e submetê-los a avaliações e votação no site da empresa.

Azul em 2008, recém-lançada, a multidão foi convidada a escolher o próprio nome da empresa. Aqueles que sugeriram o nome vencedor receberem de prêmio bilhetes aéreos vitalícios.

Threadless.com – os membros online podem sugerir designs de camisetas e ainda votar quais deles devem ser produzidos pela empresa.

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