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Não é novidade, mas sempre impressiona verificar o poder de marketing e persuasão da Microsoft em auto–divulgação junto à imprensa.

Não foi necessária mais do que uma breve demonstração de poucos minutos de uma versão embrionária do Longhorn – o próximo Windows que virá a substituir o atual XP – para que todos começassem a fazer apostas em datas de lançamento, novidades, mudanças etc.

O problema é que o Longhorn só deve ser lançado em 2006.

E hoje todos já estão com altas expectativas. Não é para menos. Ainda não há sequer uma versão beta oficial do Longhorn, visto que a primeira só deve sair no segundo semestre de 2004. As edições atuais, inclusive a que foi demonstrada na apresentação de Bill Gates, não possuem absolutamente nenhuma das grandes novidades divulgadas pela Microsoft e republicadas pela mídia.

A novidade “apresentável” é um visual diferente, mais requintado – como ocorre em toda nova versão do Windows – e singelas alterações de interface e usabilidade aqui ou ali.

Tivemos acesso a uma das versões embrionárias (alpha), para testes, e podemos comprovar o esperado: até que o Longhorn se transforme no produto diferenciado e inovador prometido pela Microsoft, muitas árvores precisarão ser derrubadas para a quantidade de papel que a imprensa vai ceder para falar de novidades que ninguém viu.

Bill Gates define o Longhorn como o “lançamento da década e o maior desde o Windows 95” – a mesma ladainha de quando lançaram o Windows 2000 e, depois, o Windows XP. Nem lembre se com o Windows Me foi assim, mas deve ter sido algo parecido.

Por enquanto, a principal mudança no Longhorn é o novo sistema de arquivos, batizado de WinFS. Inicialmente, a sigla era de Windows File System; depois passou a ser de Windows Future System; hoje, nem a Microsoft sabe ao certo do que chamar.

Na prática, o WinFS não existe ainda. Não funciona. Aos corajosos que tentarem usar WinFS agora, o resultado será uma queda de performance em pelo menos 40% e em seguidos travamentos. Não vai levar menos de um ano até que o novo sistema de arquivos, baseado em XML e banco de dados SQL, torne–se algo apresentável.

Nas apresentações públicas e textos explicativos do Longhorn, outra menção honrosa é sobre o hardware. Em tese, o Longhorn irá levar o seu hardware ao extremo, sugando todas as possibilidades técnicas para aumentar a performance do computador.

Em tese e em sonho, até agora. O Longhorn ainda é tão frágil que, mesmo com a versão alpha mais recente, seu hardware será detectado apenas a um nível básico para funcionar.

O Windows não aceita a instalação de drivers. O sistema detecta o hardware e aloca na memória um driver assinado pela Microsoft para que os periféricos funcionem, mas sem funcionalidades extras. Por exemplo, placas de vídeo 3D funcionam normalmente, mas sem recursos avançados de anti–aliasing, refinamento de textura etc.

Como nem tudo são espinhos, os embriões do Longhorn também mostram melhorias visíveis. A começar pela instalação. Há apenas um único grande arquivo (de 600 Mb) contendo todo o sistema operacional e, durante a instalação, o usuário só precisa ligar o computador com o CD dentro do drive. Em seguida, após algumas rápidas opções de instalação (partição, disco rígido…) basta digitar a chave de registro (serial) e ir tomar um cafézinho, pois o processo é todo automático. [Webinsider]

Avatar de Paulo Rebêlo

Paulo Rebêlo é diretor da Paradox Zero e editor na Editora Paradoxum. Consultor em tecnologia, estratégias digitais, gestão e políticas públicas.

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