Preço do software continua sem (con)senso

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Paulo Rebêlo

Enquanto maravilhas são ditas sobre os novos processadores de núcleo duplo, cabe a pergunta: será que o preço de alguns softwares vai aumentar, justamente por conta da novidade? Um recente estudo divulgado pelo instituto americano de pesquisas, Gartner Group, dá sinais de que o valor de licenciamento de programas possa aumentar até 50% em 2005, principalmente no ambiente corporativo.

O motivo seria uma eventual popularização dos processadores de núcleo duplo, pois muitos aplicativos possuem contratos de licença baseados no número de processadores. Os desenvolvedores poderiam considerar, no caso, que o usuário esteja usando dois processadores, em vez de um.

O estudo acredita que as produtoras de software modifiquem os termos de licenciamento nos contratos, aumentando os preços. Para quem possui um contrato assim, seja em pequena ou grande empresa, a sugestão do instituto é atualizar os termos a partir de agora, sem esperar negociações de última hora.

Ao mesmo tempo em que a pesquisa do Gartner aponta aumento de preço, a Sun Microsystems, criadora do Java, aposta em um futuro onde o software seja cedido gratuitamente ao usuário pelas grandes empresas. Na visão do CEO da Sun, Scott McNealy, o modelo de software do futuro é gratuito e os usuários pagariam apenas pelos
serviços agregados ao produto.

No Brasil, como nunca houve uma política séria de software, não é difícil imaginar o que irá acontecer: não importa se o preço dos programas diminua ou se fique de graça, aqui a gente sempre vai pagar (?) mais caro. Discutimos muito políticas públicas de software–livre e fomento ao desenvolvimento local, mas até agora nada de cobrar das gigantes um preço compatível com a economia brasileira.

Cobram em reais, aqui, o equivalente ao valor cobrado em dólar lá fora. Ao mesmo tempo gastam milhões de dólares em campanhas contra a pirataria. É uma contradição ou simplesmente é mais lucrativo assim mesmo? [Webinsider]


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