Precisamos falar sobre robôs na escola

Nova Escola de Marketing
30 de agosto de 2016

Quando se fala em robotização não quer dizer que estamos nos desumanizando. Ao contrário, os robôs estão aí para aumentar a taxa de humanização.

Cortella e Dimenstein lançaram ano passado o livro A Era da Curadoria – O que importa é saber o que importa!.

Ouvi a palestra de Cortella sobre o livro e vou comprar um exemplar. A palestra dá uma ideia do conteúdo do livro e em cima dela farei algumas reflexões críticas.

  • Não é possível pensar o futuro, como os autores fazem, a partir da micro ou meso história. A revolução digital em curso é fenômeno macro-histórico, que inaugura novo ambiente de comunicação humano, através dos rastros digitais, o que pede robôs inteligentes para nos ajudar. Isso só é visto se colocarmos uma timeline analítica de milênios. Ou seja, o Uber não é novo modelo de negócio, mas de administração da espécie.
  • O que temos visto até aqui, a descentralização das fontes, o que o Cortella destacou muito bem na palestra, é a primeira fase do processo, mas não é isso que vai mudar radicalmente a escola, mas o surgimento de novo modelo de comunicação, através de cliques, estrelas, curtidas, que permite que tomemos determinadas decisões coletivas, antes inviáveis.
  • Novos modelos de comunicação permitem que seja recriado o modelo de administração.
  • A escola é formatadora, antes de tudo, para que os jovens possam operar no ambiente de administração vigente, que se altera com as mudanças na comunicação. Ou seja, antes de se pensar em conteúdo, o papel da escola é formatar corações e mentes para o uso da topologia de administração vigente em cada época da história. A atual escola é filha do livro impresso, como a nova será filha dos rastros digitais.
  • A curadoria, termo que uso também no meu novo livro: Administração 3.0 – conceitos avançados só é possível com rastros digitais, que viabilizam a participação de massa, que demanda uso intenso de robôs educacionais.

Mudei recentemente, inclusive, o subtítulo do livro, que era Uberização e passou a Wazerização, justamente porque percebo que a grande novidade é o uso de rastros para que possamos a com menos tempo de aprendizado ter mais qualidade.

Educadores serão programadores de robôs

Filosoficamente, o conceito de Curadoria é bem colocado na palestra de Cortella. Tem vários pontos que embasam o que virá, é uma percepção clara de que é preciso mudar, aponta na direção adequada, mas falta a visão da macro-história, a única que permite enxergar a mudança da escola na sua dimensão, que aponta para uma mudança na sua topologia básica: sai professor e entram robôs.

Os educadores serão programadores de robôs e fornecedores de micro conteúdos, que serão avaliados por quem tiver contato com eles.

A palestra de Cortella se baseia na premissa que a grande mudança é a chegada de novas fontes de informação, que é a segunda onda da revolução digital.

A primeira foi a informatização, a segunda é a descentralização, de fato, mas a terceira e mais radical é a robotização, a grande novidade da atual revolução digital.

A descentralização questiona o modelo administrativo vigente, mas não coloca nada no lugar. Só a robotização viabiliza o novo caminho, que consegue resolver o problema da quantidade na qualidade e vice-versa, debate que parte do reitor da Estácio de Sá, Ronaldo Mota, autor do prefácio do meu livro.

Sem o intermediador

Diferente da chegada da prensa, que estruturou a sociedade moderna, a revolução digital introduz na sociedade nova forma de comunicação, o rastro digital, similar ao utilizado pelos insetos, em particular as formigas.

Essa nova forma de comunicação elimina a necessidade do antigo intermediador, responsável pelas decisões, processos, produtos, serviços e ideias, onde se inclui o gestor educacional, responsável pela grade curricular e material didático.

Teremos o fim do professor fixo, bem como estamos assistindo o fim de outros intermediadores, como o caixa do banco, do cinema, o garçom, o corretor de seguro, os gerentes, chefes, diretores de cooperativa de táxis, os produtores de CDs, os editores de televisão, etc.

O ambiente de ensino do novo século precisa preparar os jovens para viver sim num mundo mais descentralizado, mas principalmente em um mundo muito mais robotizado, inovador, incerto e participativo.

Novo modelo de gestão

A Curadoria Digital é uma mudança de forma e conteúdo, altera a topologia de poder, em função das novas ferramentas de comunicação e troca disponíveis.

Por isso, chamei de Curadoria Digital, um modelo administrativo que vem substituir a gestão, que ficou obsoleta diante da complexidade demográfica de 7 bilhões de sapiens.

Quando se fala em robotização imaginamos que estamos nos desumanizando. Ao contrário, eles está aí para aumentar a taxa de humanização.

Hoje, infelizmente, temos a complexidade das formigas, mas um modelo de administração de zebras.

Os robôs nos permitirão ter um modelo de administração de formigas para resgatarmos boa parte da humanidade perdida quando crescemos demais e tivemos que concentrar ideias, produtos, serviços, poder e modelos educacionais.

É isso, que dizes?

Nova versão dos slides sobre ensino 3.0.

Meu livro sobre o tema está aberto, basta preencher este form.

Fiz um vídeo correlato:

[Webinsider]

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