Black Dog: filme de ação que merece ser visto de novo

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Black Dog é um bom filme de ação

Quando o fã de cinema acha um filme de ação que lhe agrada, acaba revisitando-o sempre que pode. É o caso de Black Dog.

 

Existe uma série de razões pelas quais um filme de ação vai ser visto somente uma vez ou revisto de vez em quando. Ela inclui a estória, o roteiro, os atores, as falas e o enredo. Se nada disso for convincente, o filme pode ter a ação que tiver, mas ele acaba sendo deixado de lado, e é por isso que muita gente prefere o streaming, em vez de gastar dinheiro montando uma filmoteca em casa. Filmes sem trama alguma ficam restritos à pancadaria, violência gratuita, como tiroteios, matança em massa, etc. Chega a ser cansativo de assistir.

Por sorte minha, na minha coleção em casa eu ainda tenho filmes que valem a pena serem vistos de vez em quando, porque, além da ação, eles têm algum tipo de apelo visual ou emocional. E não me refiro somente a filmes antigos de catálogo, mas a filmes novos também.

Um desses filmes que eu gosto de ver de vez em quando é Black Dog, de 1998, que teve um título no Brasil sem graça e pouco elucidativo de Estrada Alucinante. A estória é super simples:

O FBI e a ATF, agências do governo americano que combatem o crime organizado e o comércio de drogas e armas, estão atrás de um grupo que comercializa armamento pesado, mas nada de início dá certo.

Jack Crews (Patrick Swayze) é um motorista de caminhão, que trabalha demais, e em uma noite ele “vê” o cão preto correndo na sua direção, perde o controle, atropela um casal com o carro parado na estrada, e é preso por homicídio culposo.

Crews está próximo de perder sua casa. A trama começa quando o patrão de Crews o convence a ganhar algum, transportando uma carga, mesmo sem ele ter perdido a licença de motorista.

Patrick Swayze mostra uma interpretação sincera e honesta como Jack Crews. Curiosamente, no elenco de apoio estão o cantor de country Randy Travis (Earl) e Meat Loaf (Red), ex-roqueiro.

O roteiro brinca com a presença de Travis, que encarna um compositor frustrado e com uma voz desafinada. Meat Loaf passa o filme todo citando passagens bíblicas, mas o personagem ambiciona roubar as armas que estão escondidas na carga do caminhão.

Uma nota cômica do filme é a disputa de poder e o controle da operação entre o agente do FBI Ford (Charles S. Dutton) e o agente da ATF McClaren (Stephen Tobolowsky). Muitos filmes de Hollywood comentam as diferenças entre as agências de controle policial ou similar, praticamente deixando claro que nenhuma delas admite qualquer interferência em suas respectivas operações.

Em Black Dog, a briga fica entre Ford e McClaren, este último enchendo o saco do primeiro com ilações de psicanálise. Somente no fim é que os dois percebem que não adianta brigar, uma espécie de lição de moral dos roteiristas.

Black Dog é muito bem filmado, e tem uma dinâmica de narrativa, mantendo quem assiste pela primeira vez preso ao desenrolar do drama vivido por Jack Crews, para salvar sua casa e sua família.

O filme tem um pouco de tudo: ação rodoviária, drama, diálogos com ironias, um pouco de comédia e de suspense. As cenas de estrada são muito bem montadas, às vezes um pouco exageradas, mas visualmente convincentes.

A trilha sonora é basicamente composta por músicas Country. Randy Travis e Brian Vicente (Wes) escreveram “My Greatest Fear”, cantada na trilha do filme pelo primeiro, desta vez sem desafinação. Também merece destaque “Drivin’ My Life away”, interpretada por Rhett Akins, e inserida no trecho do início da viagem.

Filmes de ação deste tipo são, por natureza, catárticos: o personagem aflito com o seu desafio tem que terminar vencendo a sua luta, e no final a justiça precisa prevalecer. [Webinsider]

 

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Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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