CD Single, um formato que não foi para a frente

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Os compactos foram um formato de disco popular no passado. O CD Single tentou repetir o modelo, mas, embora de qualidade, nunca foi muito adiante.

 

A ideia de vender música com apenas duas faixas é antiga na indústria fonográfica, primeiro porque os discos de 78 rpm, 10 ou 12 polegadas, tinham uma limitação física de espaço gravável. Mas, depois do desenvolvimento do elepê (Long Playing ou LP), com rotação de 33 1/3 rpm, o espaço aumentou para cerca de até aproximadamente 25 minutos de música, de cada lado. O LP foi desenvolvido e lançado pela Columbia Records em 1948, e tinha versões de 10 e 12 polegadas.

A ideia de produzir discos com poucas músicas morreu momentaneamente. Mas, em 1949, a RCA lançou o disco compacto de 7 polegadas, rodando a 45 rpm, que tem um som bem melhor do que os discos de 33 ½ rpm. A partir daí surgiu também uma guerra de formatos, que durou anos. O disco da RCA foi projetado com um furo central mais largo, para tocar em vitrolas portáteis. Depois, foram oferecidos adaptadores para toca-discos convencionais, que tem pinos centrais mais finos.

A reação veio depois no disco compacto de 7 polegadas, em 33 1/3 rpm, só que com qualidade de áudio inferior ao disco da RCA.

O CD single incorpora a mesma ideia dos discos compactos anteriores

A mesma ideia ressurgiu depois do CD ser lançado em um disco já compacto, com 12 cm (cerca de 4,7 polegadas). O CD Single passou a ter apenas 8 cm (3.14 polegadas), com capacidade reduzida para até 24 minutos de áudio, em 210 MB de espaço de dados.

O CD “single” não poderia ser taxado como disco compacto, porque o acrônimo do CD subentendia este tamanho, daí a nova terminologia. As primeiras bandejas dos drives de CD players não foram previstas para tocar os discos de 8 cm, o que ocorreu anos depois, em 1986, com o lançamento do CD Single.

Para tocar um CD Single neste primeiro tipo de bandeja, era preciso usar um adaptador, mas nem toda gravadora fornecia um, como o mostrado na figura abaixo:

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Trata-se da edição do disco da Delos D/PC 2001: A Sonic Odyssey, lançado em 1987, como novidade. O adaptador é o tipo reutilizável, e vem como brinde.

Outras gravadoras venderam o CD Single em um simples envelope plástico, sem adaptador e sem estojo. Assim, só poderia ser usado em player com drive do tipo “top loading drive”, como o mostrado abaixo:

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Os primeiros CD players Philips e Marantz não usavam bandejas, os discos eram colocados direto em cima, e com isso esses aparelhos podiam tocar discos Single sem problemas.

O formato single não foi para a frente, apesar de estar disponível até hoje.

Eu vi poucos discos Single nas lojas. Comprei dois deles. Um, da Delos, foi o que vinha com um adaptador, mostrado acima. Notem que até hoje as bandejas dos drives são fabricadas para discos de 8 cm.

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Tempos atrás, um disco CD Single era fornecido com software de instalação  para alguns dispositivos, mas depois do advento da Internet os fabricantes passaram a oferecer os programas por download, além do disco, estes usados apenas por quem ainda não tinha acesso online. E mesmo assim, o software incluso nos discos podia já estar ultrapassado, forçando depois uma atualização online após o uso do disco.

Pelo que eu soube, CDs de 8 estariam sendo usados por distribuidores de conteúdo, destinados a emissoras ou streaming de algum tipo. Nunca vi mídia gravável neste formato, e mesmo que haja, ela faz algum sentido para o usuário não técnico?

É bem mais provável que conteúdos limitados sejam distribuídos com discos CD-R convencionais ao invés de um disco CD-Single. Este tipo de mídia é útil para armazenamento de dados ou cópia de segurança de um CD prensado, recurso usado por colecionadores.

Os “single” dos videodiscos

Videodiscos de menor tamanho também foram vendidos, com conteúdo de vídeo reduzido, mas com uma idêntica qualidade dos discos normais. As bandejas dos reprodutores tinham suporte para todos os tipos de disco, videodisco ou CD. O último reprodutor de videodisco que eu usei tinha inclusive um carrinho que lia os videodiscos dos dois lados automaticamente. Além disso, ele reproduzia as trilhas de Dolby Digital (AC-3) com grande qualidade.

Na época, houve um incidente curioso e irônico: a trilha Dolby Digital era codificada (modulada) com sinal de rádio frequência (AC-3 RF), que era enviada a um demodulador externo dedicado.

O sinal do AC-3 substituía o canal analógico direito. Por razões técnicas, só vencidas tempos depois, o sinal AC-3 RF só podia ser modulado em vídeo NTSC. Como o NTSC era inferior ao PAL, as revistas da época aproveitaram para publicar a seguinte anedota:

“O NTSC sempre foi conhecido como Never Twice The Same Colour, mas agora ele será conhecido como Now With Tremendous Sound Capability!” [Webinsider]

 

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Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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