A guerra dos navegadores e detectores de radar de velocidade

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Aplicativos com mapas e rotas, com detector de radar, são ferramentas das mais úteis para a segurança de todos os motoristas, e a disputa entre eles é acirrada.

Aplicativos com mapas e rotas, com detectores de radar, são ferramentas das mais úteis para a segurança de todos os motoristas, e a disputa entre eles é acirrada.

 

Anos atrás, os automóveis disponíveis não tinham centrais a bordo que permitissem traçar uma rota ou que avisassem os motoristas que ele estava próximo de um radar de velocidade, conhecidos por aqui como os infames “pardais”, aqueles que fazem parte da indesculpável e injusta indústria da multa.

No primeiro Peugeot que eu tive com uma central embarcada, a tela exibia um mapa com campo de pesquisa de rota. Nesta época vários fabricantes fizeram o mesmo. No caso específico da Peugeot, os mapas da central só poderiam ser atualizados através de uma porta USB, e iriam custar muito caro.

Como as cidades mudam as suas arquiteturas viárias, um dado mapa pode, até hoje, ficar obsoleto da noite para o dia. O mapa daquele Peugeot era muito caro, vendido on-line pela Here Maps. Eu fiz uma única atualização, mas só depois que o mapa da central tinha ficado muito defasado.

Por causa dessa e de outras tantas dificuldades, durante anos eu usei um dispositivo da TomTom, uma mistura de GPS, navegador e alerta de radares. No início, as atualizações de mapas e de radares eram ambas gratuitas, e para conseguir isso era preciso conectar o aparelho em um computador e baixar os arquivos do site do fabricante.

O último desses modelos da TomTom que eu usei foi o 60B:

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Com o passar dos anos, a atualização gratuita dos alertas de radar começou a ser paga, e para dificultar ainda mais a vida do usuário, a TomTom saiu do Brasil e deixou aqui um representante.

Vários dos componentes começaram a dar problemas, como, por exemplo, as baterias, as quais, mesmo com o dispositivo sendo carregado na saída de 12 Volts do carro, descarregavam sozinhas! E aí, quando paravam de carregar de vez, elas precisavam ser trocadas na oficina do representante.

Foi mais ou menos por aí que o meu filho começou a sugerir abandonar o 60B e usar o celular para as rotas e radares. E ele, com mais bom senso do que eu, tinha toda a razão. Assim, quando terminou a anuidade da última assinatura do 60B, eu o aposentei definitivamente!

A disputa acirrada dos aplicativos

Existe hoje uma miríade de aplicativos que usam o GPS dos celulares, de modo a traçar rotas e detectar radares de multa. No início, houve quem objetasse estes últimos, mas os códigos de trânsito nunca impediram que o motorista tomasse conhecimento da  presença de radares.

A indústria da multa usa até hoje métodos sofisticados, como sensores escondidos no chão das pistas, e não instalam sinais que avisem sobre a presença do detector. Claro que isso é ilegal e sujo, mas não adianta entrar com recurso contra as multas.

A enorme variedade de aplicativos à disposição de quem quiser baixar e instalar nos telefones praticamente obriga o usuário a fazer um escrutínio seletivo, na base da tentativa e do erro, para verificar qual deles funciona melhor.

Os próprios fabricantes de celulares compreenderam a mudança do consumo e ofereceram navegadores nos pacotes proprietários, como o Google Maps, por exemplo. Esta mudança forçou também os fabricantes de veículos a instalar consoles com recurso para a interface necessária ao espelhamento dos telefones celulares, como o Android Auto e o Apple CarPlay.

Em suma, este conjunto de novos recursos praticamente tornou dispositivos, como o TomTom 60B, obsoletos! Pagar por mapas e radares se tornou coisa do passado, com a vantagem da atualização ser feita via aplicativos. Ironicamente, TomTom e Here Maps ofereceram aplicativos gratuitos, contendo os mesmos recursos que antes eram muito bem pagos: o TomTom AmiGo e o Here WeGo, respectivamente.

As escolhas pessoais, ao longo do tempo

A minha linha do tempo, pós uso de aplicativos, começou com o Radarbot Pro, que eu comprei no Google Play há muito tempo atrás. Depois, eu fui experimentando outros programas:

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Também instalei os acima citados TomTom AmiGo e Here WeGo, que rodam hoje no ambiente criado pelo Android Auto.

Experiências, sucessos e frustrações

Nem todo aplicativo roda dentro ou é compatível com o Android Auto, mas isso está mudando. Eu rodei anos a fio com o Radarbot Pro em paralelo com o Android Auto, isto é, na tela do celular. Recentemente, e sem aviso prévio, o aplicativo começou a cometer erros, mostrando avisos de radar fora da rota e até mesmo dentro de um estacionamento do shopping que eu frequento!

Eu só soube depois que a versão Pro havia sido descontinuada. Em contato com o suporte da empresa, isto começou a ficar claro e depois informado sobre a substituição do aplicativo por outra versão. Mas no meu caso foi a mudança dos aplicativos para um celular novo, que me avisou que o Radarbot Pro tinha que ser atualizado para uma nova versão, que foi automaticamente instalada.

Na configuração da versão nova, havia uma opção para “restaurar a compra anterior”, a qual quando acionada me mostrou que eu havia comprado a versão Pro anos atrás. Com esta restauração eu passei a rodar a versão “Free”. Entretanto, para ter de volta todos os recursos antigos eu teria que mudar para a versão “Gold”, pagando uma anuidade, quer dizer, se fizesse isso, voltaria aos tempos dos mapas de radar pagos do TomTom 60B!

Só que o algoritmo de aviso dos radares pelo Radarbot só iria funcionar caso uma rota fosse previamente estabelecida no Google Maps, mesmo na versão paga. E isso só ficou claro depois de um monte de e-mails dialogando com o suporte!

E de fato, após ser testado, o novo Radarbot Free só mostrou os radares depois de uma rota estabelecida. Não foi o caso do CamSam Plus: primeiro, o aplicativo roda automaticamente, assim que o Android Auto inicializa, e pode ser visto rodando na tela do celular.

O CamSam não tem aviso por voz, pelo menos eu não achei esta opção, mas, ao detectar um radar à frente ele mostra uma série de barras, que trocam de cor com um bipe, avisando a proximidade do radar, além de um ícone, informando que tipo de radar está à frente.

Eu testei o Sygic, que une mapas e radares. Os desenvolvedores instalam a versão Pro e dão um prazo curto para o usuário comprar a anuidade com desconto. Inicialmente o programa me pareceu atraente, mas o que eu li de queixas de motoristas europeus me deixou assustado. A versão Pro roda dentro do Android Auto e assim pode ser visto na tela da central do carro.

A versão gratuita não tem suporte na tela do Android Auto, Se acionada na central do carro o Syfic gratuito emite uma mensagem de erro, assim como o Radarbot Free. Na prática eu não vi nenhuma vantagem ao usar o Sygic, comparado com o Google Maps ou Waze.

Além do mais, como eu já tenho mapas com o Google Maps ou Waze no Android Auto, e com o CamSam rodando em paralelo no celular, eu preferi não comprar a anuidade do Sygic. E esta, creio eu, é uma das vantagens do uso de um telefone celular: se o aplicativo não atende as expectativas do usuário final, ele desinstala e passa para outro, que lhe atenda no que ele precisa.

Conclusões

Neste mundo de aplicativos, Google Maps e Waze dividem as atenções, cada um com seus prós e contras. Eu gosto muito do Google Maps, mas vejo nele uma falha incompreensível: a sua falta de habilidade em avisar radares de velocidade corretamente. O Waze cumpre esta tarefa muito melhor, mas gasta o pacote de dados do telefone sem necessidade, e o aplicativo é muito dependente da colaboração dos alertas de outros motoristas.

O Sistema de Posicionamento Global, conhecido pela sua sigla em inglês GPS, foi criado e desenvolvido na década de 1970, inicialmente para aplicações militares. A disponibilidade para outros usuários se tornou uma das melhores ferramentas para inúmeras aplicações, como dirigir sem saber previamente que rota seguir.

Não querer usar o GPS para mim é uma tolice! Eu tive uma amiga que saía comigo, que ao ser apresentada ao GPS me disse que nunca iria usar aquilo!

Ora, em tempos remotos, todas as minhas viagens tinham que ser desenhadas em uma folha de papel, como um roteiro de lugares onde passar, até chegar ao destino. Com o GPS este martírio acabou.

É a tal estória: usa quem quiser. Em qualquer veículo comprado recentemente, as chances de se ter à disposição um sistema operacional com recursos de tráfego é uma consequência da necessidade de alguém dirigir mais seguro. Bem verdade que rotas podem ser traçadas de forma errada ou levar o motorista a áreas de risco, mas a cada ano que passa as atualizações acabam retificando vários erros. Com o uso do celular e com um bom aplicativo, as chances de sucesso compensam amplamente. [Webinsider]

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Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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2 respostas

  1. Olá Paulo o detector de radar é a nossa única arma contra a industria da multa, ainda mais aqui em S.P onde o Prefeito está fazendo caixa as custas do cidadão.

    1. Oi, Rogério.

      Só São Paulo? No Rio esta indústria é um pesadelo. Eles passaram a instalar radares nos sinais de trânsito (semáforos), e nem todo aplicativo consegue identificar isso.

      Em uma rua aqui perto der casa tem um limitador de velocidade com velocímetro, que tempos atrás era avisado, mas, não sei por que, nenhum aplicativo que ru testei não detecta mais. No lado oposto, pista de descida, tem outro igual, mas este é avisado. Uma vez eu usei o Radarbot para alertar o primeiro, mas sem sucesso.

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